JANEIRO
Parodiando Vinicius, talvez possamos dizer: se todos os meses fossem janeiro, que maravilha viver! Os sinônimos de janeiro até qualquer criança sabe: férias, diversão, viagens, praias... Como num limbo encantado, as pessoas — os transeuntes de janeiro — parecem de algum modo refeitos do ano que passou e, no íntimo, alimentam grandes e nebulosos sonhos, como se a contagem dos dias, reiniciada, trouxesse de volta a gaivota verde e despreocupada da esperança. Nenhum outro mês detém esse poder de nos convocar para os novos horizontes. Nenhum outro mês é tão vertical, tão leve, tão jovem, impondo ao tempo uma efêmera mas indispensável derrota. Em sua deliciosa passagem, janeiro é o breve e fecundo impulso para os desafios que virão, é uma espécie de página do Genêsis onde os jardins anunciam, sob o calor tropical e numa linguagem cifrada e bela, a vitória do desejo e o desejo de vitória.
Escrito por Paulo Gustavo às 17h25
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