A HISTORIADORA FOLIÃ
“A multidão me acompanha...” Capiba
Da teoria à prática, tão ágil como se voasse numa daquelas piruetas do frevo, Rita de Cássia de Araújo, doutora em História pela USP e pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco (MEC) do Recife, salta, durante o reinado de Momo, das austeras pesquisas sobre a história social do Recife para o dionisíaco e frenético desfilar pelas ruas da capital pernambucana.
Estudiosa do carnaval e da história das praias urbanas da cidade, Rita torna-se uma pã-foliã, pondo na rua três agremiações que soube criar com artes de mágica colombina, a saber: a troça carnavalesca mista Pisando na Jaca, o Bloco Cinza das Horas e o Urso Boa Pinta. Enfim, um bloco, uma troça e um urso, à frente dos quais rege a alegria de amigos, admiradores e populares. Haja fôlego!
Escrito por Paulo Gustavo às 10h43
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“Não fere a ética.” (Do noticiário nacional)
— Como ela está hoje?
— Voltou à enfermaria. Está muito ferida.
— De novo?
— A pobrezinha está de fazer pena. Esfolada...
— Mas não é possível, de uma hora pra outra...
— Quase todo dia é assim. Ela não agüenta essa judiação.
— Vou visitá-la na enfermaria.
— Melhor não.
— Como assim?
— Tem um ministro lá com ela. Dizem que está com remorso. A enfermaria, por motivo de segurança, está isolada.
— Que ministro?
— Sei lá, um importante.
— Todo ministro é importante! E o Lula não veio, não?
— Lula esteve aqui faz muito tempo, não voltou mais nunca.
— Faz tempo que o ministro entrou?
— Faz não, talvez até já tenha ido embora. Só queria um encontro a sós com ela. Olhe, chegou uma informação aqui: diz que o ministro faz questão que ela continue internada, sedada de preferência.
— Entendi.
— Não precisa.
— Como assim “não precisa”?
— Entender passou de moda.
Escrito por Paulo Gustavo às 10h08
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DOUTORES? DOUTORES!
Ciente e consciente das honrosas exceções de sempre, observo (pelo menos nas áreas de Ciências Humanas) que o nível de redação e elaboração de teses de mestrado e doutorado vem caindo. Até onde posso ver não vejo nada de bom. De vez em quando me surpreendo que algumas pessoas apareçam fazendo mestrado e falem com seriedade de algo que... nada tem de sério. São pessoas que sequer — digamos assim — juntam algumas palavras... De repente, não mais que de repente, como diria o poeta, saltam para a pós-graduação em busca do fulgor de um título que, no fim de contas, parece apenas no lugar de um cargo e de um acréscimo de salário.
Sem leitura, sem metodologia, sem qualificação, sem, enfim, o mínimo rigor lógico e autonomia intelectual, essas criaturas mergulham numa evidente alucinação (tanto mais grave quanto mais chancelada por faculdades e universidades). Que produção “científica” é esta que se espalha pelas bancas do País e vai entupir as estantes das bibliotecas? Que contribuição original emprestam ao saber coletivo? Pouco importa o conhecimento universal e a contribuição à ciência, pois lá no fim do túnel brilha o ansiado título e uns cobres a mais no minguado salário. Por outro lado, um véu de complacência é jogado pelos examinadores e futuros pares, muitas vezes eles próprios ignorantes e faltos de massa cinzenta e de esforço crítico.
Como vivemos numa ilha (!), todos, alheios ao rigor científico — por incapacidade ou conveniência —, parecem felizes e contentes, quando não simplesmente orgulhosos e envaidecidos. Para eles, o céu é perto, ao alcance da mão, como um produto numa gôndola de supermercado, às vezes até barato!
Escrito por Paulo Gustavo às 11h18
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UM PRESENTE PARA SEBASTIÃO VILA NOVA
Sociólogo, cronista, poeta, desenhista, professor e compositor, o alagoano pernambucanizado Sebastião Vila Nova acaba de ganhar um “presente” de aniversário (nasceu em 18 de janeiro de 1944) da Fundação Joaquim Nabuco, onde foi pesquisador e gestor de diversos setores e editor da revista Ciência & Trópico. O “presente” — uma bibliografia passiva e ativa complementada por depoimentos de amigos e um resumo biográfico — foi gestado na Diretoria de Documentação da Fundaj e feito com o carinho pelas colegas Lúcia Gaspar e Virgínia Barbosa, bibliotecárias que honram o ofício com exemplar inteligência e dedicação.
Sebastião Vila Nova: o homem e a obra encontra-se no site da Fundaj em formato pdf. Uma vez no site (www.fundaj.gov.br), o internauta pode ir em Documentação/Bibliotecas/Bibliografia.
Escrito por Paulo Gustavo às 11h04
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A RESPOSTA
Às vésperas de seu aniversário de nascimento, sonho com a morta. Por coincidência, veio me responder, ainda que não diretamente, a acusação de ingratidão que alguém ainda vivo lhe fizera. No sonho, leva-me para lá e para cá, acende seus olhos, explica-me coisas, é atenciosa em sua objetividade, é delicada em seu egocentrismo, é refinada em sua postura. Cativa-me, a morta. Como em vida. Nada de seu esnobismo me constrange ou me afeta: amo-a como era, compreendo-a como a compreendia. O sonho é claro. E dele eu próprio saí mais claro, sem ser cúmplice da incompreensão dos vivos. Deixei-a feliz no sonho, feliz e viva e já num mundo onde suas conquistas não morrerão jamais.
Escrito por Paulo Gustavo às 10h32
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