CARTÃO DA (DÁ?) TAPIOCA
Frei José de Lorena, da Ordem dos Sacanas Menores, defende o uso irrestrito do cartão corporativo
“Paulo amigo, aqui no meu convento estou distribuindo diversos cartões corporativos. Aquele cartão que poderíamos chamar de ‘incorporativo’ porque a turma incorpora mesmo. Não quero que ninguém passe fome ou qualquer emergência por causa da falta de uns trocados no hábito ou na batina. Soube que no Governo querem conspurcar a honra de um ministro porque comprou tapioca com o seu (dele) cartão. Ora, Paulo, comprar tapioca com uns trocados é complicado e anti-higiênico. O cartão é prático, impessoal e mais digestivo. É fome zero. O que queriam: que o ministro comesse o cartão em vez de tapioca? De minha parte (aqui muito pra nós) só pago minhas raparigas com meu cartão corporativo: é muito mais elegante e elas adoram, enfim como a tapioca das meninas com muito mais charme, com muito mais recheio e, claro, despreocupado da vida. É meu Esporte predileto.”
Escrito por Paulo Gustavo às 13h44
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O XIXI É O MAIOR FOLIÃO
No carnaval pode faltar tudo, menos Xixi. O precioso líquido (tão necessário para a saúde) está em toda parte, pulando ou escorrendo pelas ladeiras, em ritmo geralmente febril como um frevo animado. Folião, está em toda parte, fingindo de água, de cerveja... Ninguém vê quando ele sai de casa, mas, de repente, no meio da folia, ei-lo que dá sinais de que quer saltar mais do que todo mundo. E aí não dá pra segurar a coisa. Qualquer lugar serve para esse folião brincar: muro, poste, quintal, beco e até banheiro mesmo. No planejamento da festa, as prefeituras parecem prever tudo, menos o Xixi, um folião sem rival e penetra dos bons. É para ele que se abrem alas por toda parte... É ele que restaura as forças cansadas e que quando pula dá mais leveza ao corpo. Imagino até que vários amores de carnaval devem muito ao Xixi. Enfim, o Xixi é xô de bola!
Escrito por Paulo Gustavo às 11h04
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IGUALAR E PESCAR É SÓ COMEÇAR...
Leio na mídia (“golpista”, palavra fatal!) que a ministra Dilma (pac-pac-pac) mandará investigar o ministro da Pesca, Altemir Gregolim, e a ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, por conta de suspeita de uso indevido dos respectivos cartões corporativos.
Escrito por Paulo Gustavo às 18h35
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RESSUSCITANDO NELSON FERREIRA
O prefeito do Recife João Paulo Lima e Silva é folião de carteirinha. No ano passado, fantasiou-se de Maurício de Nassau. Este ano, de Nelson Ferreira, o grande maestro e compositor pernambucano, autor de inúmeros frevos famosos e falecido em 1976. Sucesso total na evocação cênica de Nelson Ferreira. Partindo de um homem público, de um político hoje prestigiado por sua atuação à frente da Prefeitura do Recife, o gesto de alegre e jovial reverência é, sem favor algum, extremamente simpático, à parte qualquer conotação política, como aliás já foi sugerido.
Escrito por Paulo Gustavo às 17h52
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PRA QUEM GOSTA DE CACHORRO
Político, escritor, poeta, Manuel Alegre é um dos mais expressivos nomes da literatura portuguesa contemporânea. Só o conhecia de nome. Mas recentemente caiu-me às mãos de sua autoria um desses livros que, sem ser dos mais importantes de um autor, termina por ser uma produção à parte que revela, ainda que de forma oblíqua, toda a sensibilidade de um artista. Este o caso de “Cão como nós”, ao qual encaminho, entre meus escassos leitores, os que, como eu, amam os cães. É obra simplesmente imperdível e moldada, o que a torna melhor, por uma literariedade inescapável. O contraponto curioso é que o narrador biográfico nos fala com a isenção de quem desconfiava — digamos assim — dos cães e de quem, com a convivência e as próprias vicissitudes da vida, passa a amar um determinado cão, cujo lugar familiar é realçado pelo autor e cuja morte (aliás, a narração se dá quando o cão já está morto) grava uma presença por assim dizer elegíaca. O título, que é por si só um achado, o narrador o deve a um dos seus filhos pequenos, que saiu-se com a frase numa cena familiar (“...ele [o cachorrro] é cão como nós...”). Da indiferença e até da antipatia ao amor pelo cão, eis o percurso que Manuel Alegre explora com poesia e metafísica. Quase que com a concisão de um latido de mágoa e de reconhecimento.
Escrito por Paulo Gustavo às 16h47
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