PÓS-CARNAVAL: DIVAGAÇÕES EM TORNO DO TAPA-SEXO
O Brasil vive esse rabo de semana sob o grande e instigante debate sobre o tapa-sexo da maravilhosa mulata de uma escola de samba — a São Clemente. Poderia inclusive se propor a seguinte e transcendental questão: onde começa e onde termina o sexo? A existência de um tapa-sexo está diretamente ligada a essa demarcação digamos geográfica. Seria o tapa-sexo uma mera peneira a deixar passar um sol forte, quente e delicioso? O tapa-sexo, já se sabe, é mínimo, curto, mas o tema é vasto e envolve uma complexidade plástica e até metassexual. Aliás, teria existido mesmo o tapa-sexo em epígrafe? Houve um atentado ao tentador pudor? O tema, como se vê, é controverso. Enfim, este rabo de semana (tudo que restou de tantos rabos exuberantes e dadivosos) está a arder de tantas opiniões contraditórias. Pessoalmente, penso que o tapa-sexo jamais existiu e, se existiu, era uma ilha incógnita cercada de um oceano de desejo, de carne escultural, jovem, bela e abundante. Deixemos o assunto neste ponto, que, se não é o G, é um ponto de honra e de gozo para olhos livres de tapa-qualquer coisa.
Até segunda-feira, senhoras e senhores debatedores!
Escrito por Paulo Gustavo às 12h08
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O TRABALHO INVISÍVEL DO CARNAVAL
O espetáculo do carnaval, com destaque para as escolas de samba, é a parte visível de um esforço continuado, amplo e orquestrado. Fico a imaginar o quanto de trabalho, de sacrifício e de disciplina estão ocultos sob o cintilar de cada fantasia. Sem falar, claro, no trabalho de imaginação, que, no Brasil, parece ser constitutivo do próprio povo. O carnaval é cada vez mais um complexo empreendimento com tudo que isso envolve de interesses, de gestão, de empreendedorismo, de contabilidade, de trabalho vigilante e incansável. Que bailados e balés ao ar livre, em qualquer parte do mundo, podem ser comparados às nossas escolas de samba? Nenhum. Que convergência de ritmos musicais existirá alhures que se compare à nossa multiculturalidade? Nenhuma. Mesmo os não foliões mais rançosos podem se curvar a esta criação brasileira. É nela que somos bons, é nela que temos um potencial e uma arte inigualáveis. E é dela que temos de aproveitar as lições de um empreendimento coletivo em que governos e sociedades (sic) dão-se as mãos para experimentar o sucesso da felicidade e a felicidade do sucesso. É a nossa utopia encarnada, viva, tangível, maravilhosamente possível.
Escrito por Paulo Gustavo às 10h50
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