CUBA É UMA ILHA!
Afastado do poder (do executivo, enfatize-se), Fidel, o hoje velho e doente ditador, já apressou-se — como diz o noticiário — em dizer que nada mudará. Fossilizado, nos faz recordar o anacronismo do seu regime político. Mudar para quê? Mudar é difícil para todo mundo, especialmente para ditadores comunistas. O rei não está morto e viva o rei. Assim, talvez se apressem (se é que não é um discurso da mídia sempre “golpista”!...) aqueles que viram, em sua forçada encenação, uma fissura para o vento sempre ardente da liberdade inflamar os corações companheiros.
Cuba continua simplesmente uma ilha, uma ilha, uma ilha. Sem mares democráticos que deixem em suas belas praias a onda forte da democracia.
Escrito por Paulo Gustavo às 09h27
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MAU CHEIRO E FUMAÇA NO RECIFE
Que a fumaça de um cigarro pode eventualmente incomodar, não cabe dúvida. Agora no Recife, por força de uma interpretação autoritária da Lei Federal de 1996, incomoda sempre, promove o caos social, degrada a família e os bons costumes... Ora, em termos do Recife — dói-me dizê-lo como recifense que sou e que ama sua cidade —, tal tempestade em copo d’água chega a ser ridícula, pois em termos de mau cheiro estamos, sim, muito bem servidos. Recifede — escreve-se, com razão, pelos muros da cidade. De fato, temos muito lixo, sujeira, poluição e esgoto a céu aberto. Recife, infelizmente, é puro mau cheiro. De modo que os narizes agora sensíveis e alérgicos à fumaça dos cigarros poderiam estar mais abertos para tornar a cidade mais respirável. No entanto, os doutores da lei e os fiscalizadores contumazes por natureza tornaram-se monomaníacos sob a bandeira — no Brasil, tão esfarrapada — da saúde pública.
Escrito por Paulo Gustavo às 08h38
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FREI JOSÉ DE LORENA, O. S. M., COMENTA E DIVAGA SOBRE O PONTO G
“Paulo amigo, leio no portal Terra que um cientista afirma ter avistado o Ponto G, afirmando que algumas mulheres não o teriam. Outros cientistas juram que todas as mulheres o possuem. Parece que é ponto facultativo. Bem, o único ponto certo nessa história é o ponto de interrogação. Este é o meu ponto G de vista. Na minha visão e no meu currículo, o ponto G ora aparece, ora desaparece. É um brincalhão esse G, um digamos gozador mesmo, pois goza com a cara de nós outros, sedentos de darmos às mulheres o G que merecem. Imagino que isso dá um diferencial digamos competitivo...
Imagine uma frase matadora como esta: ‘Você não tem G, querida, por isso que ele te chifrou...’ Frase que pode render trezentas sessões de análise e algumas rugas a reclamarem botox. Ou esta outra frase: ‘Olha, vocês duas me obrigaram, eu não queria dizer isso, mas aqui pra nós o meu é GG!...’. Ao que poderia retrucar a amiga sincera e logo despeitada: ‘Sei não, GG mesmo é o do meu namorado...’. Ao que a terceira amiga, como quem não quer nada, poderia acrescentar: ‘Me empresta um pouquinho o teu G’, logo seguida da tirada não menos fulminante: ‘O G ou o GG?, você precisa escolher, minha filha.’
Enfim, Paulo amigo, o assunto é vasto, científico, gozoso e nos transporta. Lembrei-me de você porque alguns amigos comuns o chamavam de PG quando você era mais jovem, e o ponto G era um grande incógnito, sem a lubrificação da ciência que a tudo enverniza com brilho para maior gozo dos intelectuais e doutos pesquisadores. Bem, vou indo, já me alongo, não sei se fui ao ponto, se voltarei ao ponto. Aqui pra nós, vou assinar o ponto... Abraço do seu dedicado amigo, José.”
Escrito por Paulo Gustavo às 23h09
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"HÁ DIAS MONTUOSOS E DIFíCEIS, QUE SE LEVA UM TEMPO INFINITO A SUBIR, E DIAS EM DECLIVE, QUE SE DEIXAM DESCER NUM ÍMPETO, CANTANDO." PROUST
Escrito por Paulo Gustavo às 22h12
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FREI JOSÉ DE LORENA, da Ordem dos Sacanas Menores,
FALA, COM TEMOR E TREMOR, DE BENTO 16
“Paulo amigo, Bentão não alivia mesmo. Disse que o inferno existe e não está vazio. Esse papa é fogo mesmo! O inferno não só existe — repita-se — como também tem ocupantes (quero nomes, nomes, Santo Padre!). A turma tá lá queimando que nem churrasco. É uma danação: choro, ranger de dentes e boas labaredas. Haja gás! Acho que Bentão não falou mais porque o filme queimou! É isso aí: Bentão leva ao forno, não dá refresco nem microondas. Senti-me chamuscado cá na Terra. Como é que ele sabe, hein? Foi lá e voltou? O demo o visitou em segredo e ele, Bentão, deu com a língua nos dentes? Sinto-me já papado pelo inferno, onde, certamente, muitos amigos já estão, tendo passado desta para pior. Sinto-me papado pelo papa, no sentido figurado, claro. É uma bula ou uma burla papal? Tremo só de ver esse diabo de papa. Tenho saudades de João Paulo 2º: convenhamos, era outro papo... “
Escrito por Paulo Gustavo às 11h50
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CORTINA DE FUMAÇA
Essa antiga e vaporosa metáfora cabe como uma branca luva na paranóia anti-tabagista que grassa nos bares e restaurantes recifenses. Vemos a mistura do medo e da cretinice se alastrarem pela cidade como uma grossa e escura baforada.
Domingo passado, num restaurante tradicional da cidade, vi, numa vidraça (eu estava na área de ar condicionado) um pequeno cartaz da prefeitura que voltado para o ambiente interior rezava: “Você acha coerente fumar no ambiente desse?”. A pergunta, assim, solta no ambiente fechado, era um emblema da estupidez militante, já que ninguém de sã consciência (embora eventualmente de pulmão nem tão sadio) pode concordar com o antigo hábito de fumar em lugares fechados. Como qualquer fumante, sei que a fumaça incomoda os circunstantes. Por trás da vidraça do ambiente fechado, vislumbrei, em meu socorro de viciado, os jardins do restaurante. Antes, por prudência, para não ser chamado à atenção, perguntei ao garçon. Negativo. A lei, que é velha e foi ressuscitada com um sopro fascista, parece ter o poder de se estender aos próprios céus....
Cortina de fumaça. Nessa fumaça, mal se enxergam a falta de fiscalização das estradas que matam milhares, os impostos que crescem, os cartões corporativos que sacam o dinheiro do contribuinte, as fraudes, as falcatruas, as contradições federais e provincianas, a falta de uma agenda articulada para os grandes temas que o país precisa debater. Cortina de fumaça entre tantas outras cortinas. O cigarro é um pobre coitado. Diga-se o mesmo dos fumantes. Mas deixem-nos em paz com o prazer do vício, que, de resto, não é tão solitário quanto parece. Ar livre para todos. Fumaça livre para todos. Um Estado autoritário sufoca mais do que cigarros de uma vida inteira. Um Estado autoritário é intragável.
Escrito por Paulo Gustavo às 09h06
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FIDEL RENUNCIA AO PODER?
“Os velhos limitam-se a dar bons conselhos por não mais poderem dar maus exemplos.” La Rochefoucauld
É fácil não fumar quando se tem uma laringite. É fácil ser casto quando a velhice (sem remédio, naturalmente, nos dois sentidos!) bate duramente no apetite sexual. É fácil ser religioso quando se está à beira da morte. E assim por diante. De modo que o ditador cubano não foge à regra. Doente, alquebrado pela velhice, renuncia ao poder. O que significa despido do poder executivo, das duras lutas cotidianas da gestão. O poder, no entanto, não se esgota no executivo. Dispensável dizer que há o poder das idéias, o poder da influência política, o poder, o poder... O afrodisíaco poder, como diria o velho Ulysses Guimarães.
Escrito por Paulo Gustavo às 08h36
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CRIME E “CASTIGO”
No Brasil, a Justiça continua sendo apenas para os pobres. Crimes contra os cofres públicos perpetrados (que palavra dramática, hein?) por autoridades “e região” permanecem sem castigo. O grande, o imenso, o terrível “castigo” é apenas, quando tal ocorre, perder... o cargo. O crime mesmo fica sem punição. Os “jeitinhos” brasileiros jurídicos logo são postos em ação pelos advogados mais notáveis, lastreados, claro, num aparato de leis arcaicas e feitas a dedo para livrar a cara dos caras-de-pau. É como se o país vivesse num Antigo Regime e, portanto, antes da igualdade, da liberdade e da fraternidade...
Já você, descuidista amigo, que furtou um pão ou uma singela e cacarejante galinha, prepare-se para a dureza da lei e das grades, para choro e ranger de dentes. Devolva o pão, se possível com manteiga; e devolva a penosa bem viva, pois o que te espera são as severas penas da lei!
Escrito por Paulo Gustavo às 10h16
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"Aquilo que para nós faz a felicidade ou a infelicidade da nossa vida constitui para qualquer outro um fato quase imperceptível." Marcel Proust
Escrito por Paulo Gustavo às 09h53
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