FREI JOSÉ DE LORENA, DA ORDEM DOS SACANAS MENORES E CIENTISTA APOLÍTICO, DISCORRE SOBRE PAIS E FILHOS
“Paulo querido, Dilma, a mãe do PAC, parece que teve outro bebê: o dossiê sobre FHC. Parece que a Dilma tomou gosto nesse negócio de maternidade. Aliás, o atual governo entende de dossiê. Ouvi que a Dilma ligou para Dª Ruth para falar da criança. Por que não logo para o FHC, o pai do Real? Preferiu que a comunicação fosse de mulher para mulher. A Dilma é assim: tem razões que o próprio Lula desconhece. A Dilma endurece sem perder a ternura. Quanto à paternidade do Real, é uma moeda: tem duas caras: a do FHC e a do Itamar Franco, aliás sempre mais franco do que se gostaria que ele fosse. Melhor falar com a Ruth Cardoso, que é a mãe do Solidariedade, criança que ninguém sabe onde hoje se encontra. Enfim, como você vê, meu caro Paulo, a política está resumida a isto: quem é a mãe, quem é o pai. Enfim, como qualquer outra, nossa política é familiar e, por isso mesmo, sempre impublicável. Veja, por exemplo, a briga da família do ACM na Bahia. Os orixás estão em guerra. Saravá! Aliás, ouvi de um baiano do povo, com esses ouvidos que a terra há de comer, que ACM, no tempo em que era vivo, era ‘a mãe da Bahia’! Fico, então, pensando, será que a Dilma é o pai do PAC?”
Escrito por Paulo Gustavo às 09h26
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A CABEÇA DO BRASILEIRO!
Recente pesquisa amplamente noticiada radiografou a “cabeça” do brasileiro. Uma das matérias (se não me engano de O Globo) chamava a atenção para uma possível síntese do que foi encontrado na pesquisa. E a síntese seria esta: o inferno são os outros, numa repetição nacional e, no caso, pitoresca, da famosa frase sartriana. Donde se segue que a cabeça do brasileiro tem olhos que não vêem a si mesma, mas apenas esses pulverizados e fantasmáticos “outros”!... Cada brasileiro parece possuir esse sentimento de exclusivismo pessoal que não o identifica com a maioria do povo. Um caso de esquizofrenia, de “alma dividida” e, mais ainda, de amor-próprio que enviesa a percepção da realidade. E agora? Se isso é um problema, também pode ser uma solução ou no mínimo subsídio para políticas públicas ou privadas. Como retrato flagrante de uma mentalidade e de um modo de ser, nada indica que tal dado de realidade vá mudar tão cedo. Para mudar, só com uma nova educação, o que, pelo andar da carruagem, está difícil. Sem dúvida, sempre é problemático reconhecer o que o inferno somos nós. Em poucas palavras, é o diabo!
Escrito por Paulo Gustavo às 12h56
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MORRER DE DENGUE!
Morrer de dengue — como está acontecendo no Brasil e, em particular, no Rio de Janeiro — é pra deixar qualquer defunto puto da vida. A grotesca batalha (perdida, como se vê) contra o mosquito é bem o retrato da incompetência generalizada, ou melhor, da incompetência mineralizada, fóssil, que teima em afrontar o tempo e a modernidade do país. Mais uma vez, governos e sociedade querem fechar as portas depois de a casa ter sido assaltada. E basta de se procurar em causas culturais e sociais as raízes claudicantes dessa incompetência! Falta empenho, falta mobilização, falta priorizar a saúde. Assim como falta priorizar a educação. As “casas-grandes” continuam olhando com descaso e desconfiança as “senzalas” nacionais. Enquanto isso, pipocam a dengue e a febre amarela — para ficarmos apenas nessas duas tristes celebridades. Morrer de dengue é pra deixar qualquer cidadão vivo morto de vergonha deste país! O Brasil precisa fazer muitos deveres de casa. Sua agenda tem de ser clara e prática, sem a megalomania endêmica de nossas autoridades, cujo complexo de vira-lata faz arrotar grandezas pátrias, uma espécie de rabugem que dá uma coceira boa nos egos institucionais e pessoais, mas que, no “vamos ver”, não resolve nada.
Quanto à dengue — quem diria? — outrora tão “inocente” como um simples resfriado — está simplesmente matando os inocentes. O mosquito se agiganta em dragão da maldade. Aterrados numa sociedade plasmada pelo medo, sequer já temos força para qualquer indignação. Somos hoje um país de mosquitos, de gente que acomodou-se à pequenez e à mediocridade.
Escrito por Paulo Gustavo às 12h37
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