O Barão de Itararé já observava que “Queres conhecer o Inácio? Coloca-o num palácio!”. O poder, com efeito, modela a seu gosto as pessoas que o possuem. Na verdade, o poder devora as pessoas que passam a se auto-enganar com o seu continuado exercício. Muitos só estão no poder porque fora dele nada são: sem a carapaça do poder não têm sequer esqueleto. O poder muda as pessoas, que não podem mudá-lo, que sem ele sofrem de uma espécie de síndrome de abstinência. Às vezes, não, muitas e muitas vezes basta uma pitada de poder para se mudar a receita de si mesmo. Como ingrediente, o poder altera até aqueles sabores e consistências que julgávamos inerentes à própria pessoa. O poder dá uma âncora às pessoas que bóiam sem rumo pelos mares da vida. O poder enverniza o amor próprio. O caráter, este, coitado, pode esperar para outra encarnação. É com muita facilidade que as pessoas abdicam de si mesmas. Talvez tenham razão: não valiam nada mesmo.
Escrito por Paulo Gustavo às 13h17
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DEDICAÇÃO!
“Na minha aposentadoria, vou me dedicar à Literatura.” O que pensará da Literatura uma pessoa que se exprime assim? Nada! Ou algo equivalente a fazer tricô. Provavelmente um mau tricô. A ignorância, mesmo provinda de uma boca bonita, é espantosa. Repete o que talvez esteja no ar que respirou: a Literatura é inútil e por isso agora não me interessa! O ócio da aposentadoria imaginada flerta com a inutilidade dos dias que virão e desse futuro casamento nascerá a “Literatura”... Como quem dissesse: vou “adquirir” a Literatura; como quem renunciasse ao desejo, deixando em seu lugar o vazio para a “construção” do desejo. Vou arrumar a casa, mas “amanhã”! Vou te beijar a partir de primeiro de maio! Quanta coisa, então, escreverei! Afinal, é preciso tempo para me dedicar à Literatura! Agora estou ocupado, preciso viver, trabalhar, ganhar dinheiro, cuidar da família... Agora é incompatível, não dá!, não tenho como! Talvez agora seja um sacrifício que não vai valer a pena! No mais, o que pode me dar a Literatura? Tenho outros compromissos. Por favor, vamos mudar de assunto.
Escrito por Paulo Gustavo às 12h28
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DE POLÍTICA E DOS POLÍTICOS
Em face dos políticos profissionais, nós outros, analfabetos dos segredos dessa distinta arte, somos uns grandes ingênuos. Trata-se de um jogo cujas regras, a rigor, desconhecemos. Não há manuais que nos ensinem a apertar ou teclar os botões da política. O que nos parece batata é azeitona e o que nos parece azeitona já é a própria empada com a azeitona bem escondida. Mergulhamos num lago e saímos numa floresta. Mergulhamos numa floresta e saímos do outro lado do mar. Tudo indica que a política é uma arte sutil e para poucos. Dizem que se nasce político, como outros, com menor sorte, nascem poetas. Dizem também que os políticos falam ao contrário, mas outros, ao contrário mesmo, falam que eles não falam nada. Tenho minhas dúvidas. Dizem ainda as más línguas soltas que andam por aí a dar nos dentes que os políticos vivem de costas para a sociedade: talvez por isso alguns os vejam como mudos ou cegos ou surdos, três adjetivos de mau gosto e francamente pesados, quiçá injustos. Dizem também que os políticos não estão nem aí. Outros acrescentam: nem lá! Esse “lá”, imagino que seja onde deveriam estar. Bem, a coisa toda é confusa, mas vai assim mesmo, porque sem política não teríamos democracia nem a televisão seria tão divertida.
Escrito por Paulo Gustavo às 12h52
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EDIÇÕES CALIBÁN LANÇA COLEÇÃO DE BOLSO As Edições Calibán, capitaneada pelo poeta Majela Colares — tão cearense quanto pernambucano — lançou recentemente, no Recife, a coleção de bolso Quem Lê Vive Mais com atraente programação visual da designer Gisela Abad. São cinco obras literárias que dão continuidade a um trabalho sério e proveitoso: bom para o bolso, bom para o espírito! Parabéns a Majela e sua equipe.
Escrito por Paulo Gustavo às 09h57
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NO VAZAMENTO, O LÍQUIDO FICA DE FORA!
Sobre o dossiê contra FHC, o Planalto arma uma cena para inglês ver. A Polícia Federal entra no caso apenas para apurar quem vazou o dossiê. É preciso logo saber quem foi esse “traíra” e quinta-coluna para entregá-lo à execração pública, pondo uma pá de cal nesse buraco negro por onde vazou o até então obscuro documento. Noutras palavras, o líquido vazado e o(s) seu(s) autor(es) vão ficar de fora! O Planalto passa assim um “recibo” do que praticou. É como diz o povo: “Quem não deve não teme!”.
Em mais esse capítulo “hídrico” da recente história política nacional, chega-se a deduzir que o dossiê deu em água e que sua realização afogou ainda mais as nossas já combalidas práticas republicanas. Aquele dedo da Ministra Dilma sempre tão apontado para os outros deveria estar no buraco certo: só assim ela teria evitado o vazamento.
Escrito por Paulo Gustavo às 07h45
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“Em nossos dias, as pessoas são tão superficiais que não entendem a filosofia do superficial.” Oscar Wilde
Escrito por Paulo Gustavo às 10h23
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TERCEIRO MANDATO, UM PREPARO OLÍMPICO
Prospera, à boca pequena e à grande boca, a tese casuística do terceiro mandato para o presidente Lula. Em que pese a popularidade do presidente e o bem-querer da população por sua figura, convenhamos que mudar as regras do jogo é um golpe contra a Constituição Federal, especialmente quando se sabe que Lula tem grandes chances de fazer o seu sucessor, seja quem for o ungido do Planalto.
Como em todo reino, existem aqueles “mais realistas do que o rei”, no governo atual não é diferente. Como maratonistas e atletas em busca de um ouro olímpico, políticos dos naipes federal, estadual e municipal estão se empolgando com a continuidade lulesca e se movimentam para chegar lá.
Em nome da democracia, as oposições devem estar atentas e reagirem a tais manobras continuístas. Enquanto isso, Lula não desce do palanque, vendendo o PAC e entusiasmando as massas. O problema é ele não querer descer a rampa do Planalto, sustentado por uma “nova lei” que se aproveitará naturalmente de sua imbatível popularidade e da sua tropa de elite no Congresso Nacional. Enfim, esse novo “ouro olímpico” pode realmente ser um “negócio da China”, pelo menos para alguns.
Escrito por Paulo Gustavo às 09h24
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