NOS SUBÚRBIOS, NOS CORREDORES
Nos subúrbios, nos corredores
que levam para indisfarçáveis tédios,
nas esquinas mortas
pelas horas caladas das tardes de domingo,
nos terraços onde a luz tropical
vai desbotando as tintas das paredes e das faces,
os homens engordam.
Os homens engordam nesta idade indefinida
entre o fracasso e o rosto invisível da morte.
Engordam com suas mulheres gordas, grávidas
da rotina e dos sonhos já desfeitos.
Os homens engordam: alguns cheios de remorso,
outros, de medos que foram adquirindo com o tempo,
outros, da própria fome de sexo e de aventura que nunca saciaram.
Engordam como mentiras, como nuvens sem sol,
como animais que ruminam
o pasto indissolúvel dos problemas adiados.
Num dia — ou numa noite —
eles se vão pelas mãos gordas de outros homens gordos,
cabisbaixos e opressos pela morte magra, esguia,
que a tudo espreita, elegantemente.
(Do meu livro O Poder da Noite)
Escrito por Paulo Gustavo às 09h45
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