RECIFE É UMA PRAÇA... DE GUERRA!
Amigos, não venham ao Recife! Turistas, passem ao largo! Nossa bela e histórica cidade virou uma praça de guerra, um território de faroeste. A violência transformou-se em barbárie. Não se sabe de onde vem o inimigo. A insegurança já é um inferno na Terra. As emboscadas surgem em qualquer esquina. Os habitantes morrem como moscas inoportunas. Policiamento é apenas uma palavra, um desenho manchado de sangue. Os bandidos estão ganhando a guerra. Os cidadãos são obrigados a virar bandidos, também atiram e matam seus algozes. Dia ou noite, manhã azul ou madrugada escura, tanto faz, o expediente do mal é integral e onipresente.
Mesmo as mentes mais cultivadas, mesmo os mais entusiasmados discursos sociais e sociológicos estão cansados, mesmo os mais pacientes estão desesperados. A guerra instalou-se, desdenhando autoridades e planos grandiosos. O nosso “aquecimento” não é global, é local, e suas chamas estão por toda parte. Não se vislumbra qualquer esperança. Não há sequer qualquer ilha de paz, somente o continente gigantesco da barbárie e da impunidade. Vivemos, os recifenses, um tempo de medo generalizado.
Amigos e turistas, não venham ao Recife. A cidade submergiu num terrível infortúnio. Os muros subiram, as casas desapareceram, todas as ruas levam a cemitérios e a hospitais. Quando sairemos de tal pesadelo?
Escrito por Paulo Gustavo às 13h04
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
NA HORA DE NOSSA MORTE, AMÉM.
Essa é de matar ou morrer. Os deputados federais estão prestes a aprovar o seu (deles!) auxílio-funeral. Suas excelências são muito carentes! Além do mais, há que se morrer com elegância e com dignidade. No pacote “fúnebre”, digo, no projeto, estão previstos transporte, embalsamamento, entre outros itens. Naturalmente, tem-se de concordar que a longa viagem para o além requer o necessário planejamento. Para tanto, o Legislativo desembolsará a bagatela de R$ 16.500 pela cabeça finada. No projeto também está previsto que ex-deputados terão direito ao singelo auxílio, fruto, como se vê, de uma das mais nobres preocupações sociais... Assim, uma vez desembarcados no além, na categoria de Faraós Brasileiros, os parlamentares poderão se regozijar com a eternidade. Que significam R$ 16.500 diante da eternidade? A conta sai barata para nós outros, simples mortais, que mal temos onde cair mortos e nem sonhamos com a ressurreição de suas excelências.
Escrito por Paulo Gustavo às 07h56
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
A PRIVACIDADE JÁ É UMA LENDA...
A privacidade tornou-se uma lenda contemporânea. Muitos pensadores coincidem neste ponto: não há mais privacidade. Na mídia, as celebridades do momento fazem um jogo ambíguo e, curiosamente, terminam se surpreendendo com a falta de privacidade. Reclamam de fotógrafos, periódicos, repórteres, esquecidos de que é na privacidade sob encomenda que ainda reside sua humanidade. Imaginam talvez que podem ter um controle de uma privacidade realmente privada. Ledo ou não tão ledo engano! Não é de hoje que a Opinião Pública é um grande e arregalado olho sobre a face oculta das personalidades. As novas tecnologias apenas radicalizaram uma prática antiga. Embora joguem esse jogo, muitos não sabem perder uma simples partida. Querem tapar o sol da mídia com a peneira de argumentos que, no contexto, já não servem mais para nada. Nesse sentido, o profissional e o pessoal são uma única e mesma face, exposta para o bem ou para o mal. Não importa a verdade, mas a imagem, seja esta coincidente ou não com o que se é.
Escrito por Paulo Gustavo às 10h55
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
SEM DAR DESCARGA
Sabe-se que apenas um terço da cidade do Recife é saneado. Apesar disso, não se ouve qualquer dos prefeituráveis de hoje tocarem no tema. O tema, como também se sabe, cheira mau, é espinhoso e, pior, custa uma nota preta. Enfim, melhor não encará-lo e tocar pra frente.
A propósito, no centro da cidade, ponto turístico por excelência, onde quase tudo é cartão postal, os ares permanecem irrespiráveis, pois os velhos esgotos, já saturados, deixam aflorar sua matéria fétida, capaz de escandalizar os olfatos mais grosseiros.
Em tal cenário, não há turismo que sobreviva. Como passear numa cidade que se recusa a dar descarga? Como passear numa cidade onde não há banheiros públicos de qualidade? É como se oferecêssemos a turistas e nativos uma flor que, apesar de bela, é venenosa, alheia à civilização, cúmplice do lodo social e político.
Escrito por Paulo Gustavo às 10h12
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
 |
| [ ver mensagens anteriores ] |