FICA VIVO?

A notícia é de hoje nos jornais recifenses. O Governo de Pernambuco vai importar de Minas Gerais o programa Fica Vivo, que vem atuando socialmente nas áreas de maior violência daquele estado.

 

No Recife, em especial, a coisa está pela hora da morte. A população quer ficar viva, mas a situação a cada dia parece mais difícil, pois os bandidos querem mais o Fica Morto e isso a qualquer hora e em qualquer ponto da cidade. A população também deseja o Fica Preso, mas já acostumou-se à mais completa liberdade da bandidagem. O relevante, na questão da segurança, mais que importar programas (embora isso possa se revelar eficiente), é se atuar em várias frentes (capacitação, gestão, policiamento, etc.) e ter isso como meta absolutamente prioritária. É preciso persistência em tal assunto — hoje, aliás, literalmente vital para todos. Pernambuco, nessa hora de tantos investimentos estruturadores, tem que ficar vivo e em paz para desfrutar do ciclo virtuoso que se anuncia para seu desenvolvimento econômico.



 Escrito por Paulo Gustavo às 17h26 [   ] [ envie esta mensagem ]




 




O EXEMPLO DE BOM CONSELHO


É espantoso como as cidades interioranas de Pernambuco não têm área verde. O que se explica provavelmente por uma história econômico-social de selvagem exploração. Explica-se, mas não se justifica, como diz a frase feita.


Quem chega nessas cidades logo imagina que por ali passou algum Átila, não o “flagelo de Deus”, mas o flagelo das árvores. O sol e o ser humano encontram-se nus, despidos de sombra, de verde, de frutos, e ali travam uma espécie de luta surda que torna mais pesados o cotidiano e a vida. O forasteiro de plagas mais civilizadas sente um incômodo “invisível”, algo o aflige, algo atravessa-lhe a retina, queimando de claridade abrasadora imagens que poderiam se refrescar de beleza. Esse incômodo, logo se vê, é a falta colossal de árvores, de grandes árvores que inundem de sombra as ruas excessivamente ensolaradas.


Portanto, foi com prazer que soube que a prefeitura de Bom Conselho, no Agreste de Pernambuco, está arborizando a cidade. Parabéns a Bom Conselho que faz repercutir esse conselho de não viver sem verde. A cidade sai na frente com essas boas-vindas à população das árvores. Planta qualidade de vida.



 Escrito por Paulo Gustavo às 09h19 [   ] [ envie esta mensagem ]




FRUTA NACIONAL!

Em carta, meu amigo Frei José de Lorena, da Ordem dos Sacanas Menores, comenta sobre o novo status do cupuaçu.

 

“Paulo amigo, leio nos jornais que o CUpuaçu ganhou status de fruta nacional. Qual é a novidade? No Brasil, todo mundo dá CUpuaçu, todo mundo come CUpuaçu. É fruta de largo consumo, tem sabor “característico” e tem a vantagem de não ter caroço. Soube até que houve uma campanha denominada “O CUpuaçu é nosso”. Além disso, é fruta versátil: pode ser colhida nas terras aparentemente mais áridas com a mão ou com varas, embora com estas últimas haja um uso mais freqüente e produtivo. De minha parte, não perco um CUpuaçu disponível. É uma fruta que ninguém desbanca e que o País valoriza. Podemos dizer que se trata de uma iguaria popular, tão popular quanto o oiti. Tanto pode se comer sem preparo, ao natural, quanto com um creme a gosto do freguês. Pode-se também se dar o CUpuaçu com elegância ou sem elegância, mas isso não importa para os numerosos amantes da fruta: o prazer é o mesmo.”



 Escrito por Paulo Gustavo às 09h15 [   ] [ envie esta mensagem ]




 

MOÇAS DE SÃO JOSÉ


                    Austro-Costa (poeta e jornalista pernambucano, 1899-1953)

Moças de São José... Como sois belas!

Fiandeiras do Sonho e da Saudade...

Ao vosso amor de esquinas e janelas

nenhum outro se iguala na cidade.


Lembrais ainda as lânguidas donzelas

de anquinhas e bandós da antiguidade...

Mas, quando chega o carnaval, aí delas:

sois todas uns demônios, na verdade.


E endoideceis na Tuna e nos Batutas...

E as romanescas cenas do postigo

desaparecem nessa confusão.


Passa o frevo, e voltais mais resolutas...

E continuais amando, ao modo antigo,

na janela, na esquina, no portão...



 Escrito por Paulo Gustavo às 19h03 [   ] [ envie esta mensagem ]




CONFLITOS AMBIENTAIS

A Fundação Joaquim Nabuco (MEC)  promove,  no dia  20 de maio,   a  palestra  Conflitos  Ambientais:  O caso  de Suape,  Pernambuco,  ministrada pelo ecoeconomista Clóvis Cavalcanti. O evento  acontece  na sala  Gilberto  Osório,  às 14h,  no bairro de Apipucos, no Recife  (Rua Dois Irmãos, 92). Para mais informações: (81) 3073.6494.



 Escrito por Paulo Gustavo às 12h24 [   ] [ envie esta mensagem ]




BIPOLARES: A FALA

Não é fácil descobrir os sintomas de uma pessoa com Transtorno Bipolar, pelo menos os sintomas como sintomas. Mesmo nos Estados Unidos, mesmo em países do Primeiro Mundo. Até bons profissionais da psiquiatria costumam patinar no diagnóstico. Se entre profissionais e países avançados é assim, o que dizer quanto à família, ambiente em que os afetos, para o bem e para o mal, se misturam com facilidade? É nesse ambiente, travado, como se sabe, por silêncios, preconceitos e equívocos, rico de penumbra e de ambigüidades, que todos sofrem sem entenderem direito o que se passa.

 

Mais recentemente, com o avanço da bem-sucedida medicalização do problema, para o qual não há cura, os bipolares, estimulados por um novo contexto, estão vindo a público falar do mal que os aflige. Não só a eles, mas a todos à sua volta, numa espécie de furacão que os joga em situações absurdas e em conflitos e sofrimentos inimagináveis. Vindo à luz em livros e depoimentos, os bipolares ajudam a muitos outros e provam que pode se levar uma vida próxima da convencional normalidade. Com isso, podem evitar muito sofrimento inútil, muita angústia e também as mortes prematuras de muitas vidas que, agora “reguladas”, podem contribuir para a vida social e, sobretudo, para a paz familiar.



 Escrito por Paulo Gustavo às 11h58 [   ] [ envie esta mensagem ]




A CARTA AOS VINTE ANOS

 

Há vinte anos nascia a mais nova Constituição do país. A aniversariante, porém, não tem recebido comemorações à altura. Também é verdade que aqui e ali atentam contra suas palavras. Uns por má-fé, outros por ignorância. O fato é que para um país como o Brasil, tão macunaímico e mutante, vinte anos não deixa de ser um longo e consistente tempo de existência. Ingrato é saber que muitos dos seus preceitos são apenas palavras e não realidade, como um programa de idéias naturalmente belas e idealistas que ainda custarão muito tempo a serem postas em prática. Todavia, há, sim, o que comemorar, inclusive o próprio fato de ela ter nascido tão logo após a longa noite por que passou o Estado de Direito entre nós.

 

Seria interessante que as escolas, onde tanto saber inútil é posto na cabeça dos adolescentes, despertasse a juventude para o conhecimento e a importância da Carta Magna, para o seu papel estruturador da sociedade, para as suas palavras que, sob uma aparente singeleza, tocam na complexidade de reger uma nação. O respeito à Carta, sua leitura, sua interpretação são a premissa e o alicerce da vida democrática. Conhecendo-a, os alunos teriam nas mãos o melhor livro didático para uma vida mais consciente e mais cidadã.



 Escrito por Paulo Gustavo às 11h27 [   ] [ envie esta mensagem ]




A LUZINHA E A LEITURA

O palestrante, articulista e especialista em educação Cláudio de Moura e Castro escreveu certa vez, num de seus artigos, senão me engano na Veja, que um dos inimigos da leitura era aquela luzinha fraca de pousadas e hotéis. É verdade. Provavelmente porque não se pensa na leitura como um hábito nacional, pois também é verdade que a leitura não está no cotidiano da maioria dos brasileiros.

 

O fato é que a luzinha, sobretudo depois do apagão/racionamento de energia, está igualmente nos lares da classe média. Basta olharmos em volta para vermos os edifícios pontilhados de uma frágil iluminação doméstica que nos faz lembrar mais umas lamparinas do que qualquer outra coisa. Desses domicílios, poder-se-ia dizer com relativa certeza: ali não se lê, ali faz-se tudo, mas não se lê.

 

Sem luz, não há leitura. No custo da conta de energia elétrica, inclui-se também o custo da leitura. No escuro, não pode se acender a luz da leitura. E, como se sabe, com a carga de trabalho do dia-a-dia, os que gostam de ler lêem sobretudo à noite. Deduz-se, obviamente, e mais uma vez, que a leitura anda tão fraquinha como a luzinha de salas e quartos que vemos pontilhar os edifícios de nossas cidades. Enfim, vive-se duplamente no escuro...

 



 Escrito por Paulo Gustavo às 09h28 [   ] [ envie esta mensagem ]


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