RUTH CARDOSO
Num país pouco habituado à discrição e à seriedade como o nosso, o retrato — agora completado pela morte — da antropóloga Ruth Cardoso fará muita falta. Os inúmeros louvores à sua personalidade, embora em grande parte devidos ao seu falecimento, convergem, descontada essa circunstância, para um raro perfil de mulher e de intelectual, e tanto mais raro quanto se sabe das seduções do poder e dos meios dito oficiais. Como intelectual e acadêmica, terá sido (já se ouvia isso há muitos e muitos anos) superior ao próprio marido, cuja excessiva vaidade é pública e notória. Mais que a vida, é a morte que põe os pingos nos ii e dá relevo ao que de fato importa. Mas, por outro lado, é forçoso reconhecer que, não houvesse sido primeira-dama do País, seu trabalho e seu perfil de seriedade teriam passado ao largo da mídia, cujos holofotes sequiosos todos nós sabemos onde costumam se deleitar.
Escrito por Paulo Gustavo às 09h30
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SEMINÁRIO NACIONAL SOBRE OS 200 ANOS DA IMPRENSA
NA FUNDAÇÃO JOAQUIM NABUCO (MEC): PAUSA PARA REFLEXÃO
O recém-realizado seminário sobre os duzentos anos da imprensa no Brasil proporcionou a especialistas e à sociedade debater sobre o nosso jornalismo e seu lugar na mídia. Foi, sem favor algum, uma das melhores iniciativas da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) nos últimos anos.
Atribulado por um cotidiano a cada dia mais dinâmico, o profissional da imprensa teve, no seminário, a necessária pausa para uma reflexão sobre seus desafios e suas perspectivas. Por outro lado, o público presente teve a oportunidade de compartilhar uma diversidade de opiniões sobre o presente e o futuro do jornalismo. Assim, esse encontro de “clientes” e “fornecedores”, ou “prestadores de serviço”, preencheu a imensa lacuna de um espaço de discussão, tão necessário para o amadurecimento de uma sociedade democrática, tão indispensável em qualquer setor profissional que de fato queira se enriquecer e progredir. Pois é fato que numa sociedade de conhecimento como a que vivemos a reflexão não é uma espécie de um ocioso luxo do espírito, mas uma necessidade inarredável, vital inclusive para se sondar o futuro e diante dele encarar novos e criativos caminhos.
Escrito por Paulo Gustavo às 08h50
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