MEMÓRIA DE NOSSA GENTE:
25 ANOS VALORIZANDO A CULTURA NORTE-NORDESTINA
O programa radiofônico Memória de Nossa Gente, sob a batuta do pesquisador pernambucano Renato Phaelante, completa este mês seus vinte e cinco anos. Um grande feito, sobretudo se levarmos em conta que, em nosso país, muitas iniciativas semelhantes têm uma vida efêmera. Sempre levado ao ar às 17 horas dos domingos pela Universitária FM, o programa sempre objetivou resgatar e promover a música e a poesia do Norte e do Nordeste em três grandes séries: a Documental; a que aborda Músicos, Compositores e Poetas Nordestinos Contemporâneos; e a que focaliza Cantadores, Violeiros e Repentistas. Ainda este ano, Phaelante lançará um CD reunindo os mais antológicos momentos do Memória de Nossa Gente.
Escrito por Paulo Gustavo às 10h18
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NÃO SE VÊ A BANDA PASSAR...
O tempo passa e o cidadão brasileiro comum não vê passar a banda podre das polícias militares. A corrupção e a falta de profissionalismo continuam endêmicas, sem que haja vontade política de que as coisas mudem. Não faltam soluções, falta o que se costuma chamar de “vontade política”. Enquanto a banda não passa ou, pelo menos, não regressa a patamares civilizados, o cidadão comum vê-se à mercê de um Estado que não cumpre uma de suas maiores funções constitucionais. Vê-se deserto de proteção no deserto hostil das grandes cidades. Nos últimos episódios do Rio e do Recife, logo se vê que não há “balas perdidas”, mas lamentavelmente vidas para sempre perdidas por balas que jamais deveriam estar em mãos despreparadas.
Escrito por Paulo Gustavo às 09h13
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DERCY
“A alegria é o vau do mundo.” Guimarães Rosa
Não sei por que obscuros motivos do inconsciente sonhei com Dercy, ainda sem saber de sua morte, no dia mesmo em que ela faleceu. No ano passado, aqui mesmo neste blog, dediquei-lhe todo um texto de admiração e louvor. Transcorriam seus cem anos de vitória sobre a tristeza e as dores do mundo. Diria um chato que Dercy foi atriz de um só papel e que a sua arte foi uma fantasia menor. Será? Terá sido? E daí? Como quer que seja, ela chegou talvez, em seu mundo particular, àquela sabedoria que, segundo Proust, só se alcança com as próprias forças e que ninguém pode transmitir ou aprender com outrem. O fato é que Dercy, no remanso de sua vida privada, era uma outra criatura, mais para conservadora do que para irreverente. A pimenta ficava apenas para o tempero da comida. Assim me disse uma amiga comum, companheira do carteado que Dercy tanto apreciava. Como artista, sabia e intuía a hora certa de entrar em cena no grande palco do mundo. Como signo de um tempo brasileiro, soube, de forma singular, expor, com sua criatividade e presença de espírito, as fraturas de uma sociedade em processo de transição acelerada. Como poucos artistas, unia a inocência à malícia mais irreverente, não por acaso agradando a crianças e adultos. De origem muito humilde, terminou a existência, por ironia do destino, no Palácio Tiradentes, no Rio de Janeiro, onde, conforme as notícias de hoje, seu velório foi uma festa e um motivo (mais um) de irreverente alegria.
Escrito por Paulo Gustavo às 08h34
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