BOA NOTÍCIA
Guarda de Olinda cria serviço para entregar objetos perdidos Publicado em 22.08.2008, às 11h44
Do JC OnLine
A Guarda Municipal de Olinda lançou um serviço permanente de Perdidos e Achados, iniciativa que pretende devolver documentos e outros objetos recolhidos na cidade aos respectivos donos. O serviço já era prestado pela Guarda há dois anos, nos períodos carnavalescos, com resultados considerados positivos - neste ano, foram devolvidos cerca de 8 mil documentos e objetos.
O serviço inclui a listagem, no site da Guarda Municipal de Olinda, dos materiais localizados pela entidade. Os donos podem resgatar os documentos de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h, na sede da instituição, localizada no bairro do Varadouro.
Caso o dono resida em um endereço situado a um raio de, no máximo, 30km, o objeto perdido será entregue diretamente na residência. Os documentos com endereço de outros Estados serão enviados pelos Correios, sem ônus para os donos, e os passaportes serão entregues para a Polícia Federal.
SERVIÇO: Guarda Municipal de Olinda Rua Siqueira Campos, s/n, Varadouro, Olinda-PE Funcionamento: segunda a sexta-feira, das 8h às 16h
Escrito por Paulo Gustavo às 12h17
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Frei José de Lorena, da Ordem dos Sacanas Menores, me escreve da China, e confessa um olímpico desdém pelas Olimpíadas.
“Paulo amigo, acho que a China é um negócio da China. Não sei por quê, mas o nome do Brasil aqui é Chin-Fu-Deu. Não entendo mandarim, mas desconfio desse nome. O mandarim é uma língua sintética, vai direto ao assunto. Dei um salto sem vara e fui à famosa muralha, tudo sem muita graça, embora chinês ache graça de tudo. Curioso foi conhecer um cidadão nativo chamado Ping-Pong, parece que não girava bem da bola, pensava que Galvão Bueno fosse o presidente da República do Brasil. Me esforcei e experimentei um prato típico daqui, o restaurante chamava-se Fi-Asco. Era uma espécie de macarronada com molho de diversos insetos muito bem selecionados. Em seguida, peidei muito como todos fazem sem qualquer pudor. Aqui, Paulo, tudo é grande, colossal mesmo, menos, é claro, o que já sabe aí no Ocidente: os próprios chineses. Conheci também umas massagistas incríveis; uma delas, chamada Dei-ta-y-Ola Aky, que salta com vara nas horas pagas, deixou-me por um momento na praça da paz celestial. Na hora H, gritava Chi, Chi, Chi, Chi, que, por engano, confundi com um patriotismo natural, pensando que quisesse dizer China. Ledo engano. Bem, pra terminar, digo que não fui a nenhuma competição esportiva, tenho mais o que fazer. Só fui a templos e pagodes...de amor, onde se cultuam as deusas Éfoda (de origem grega!) e Sá-Kana (da vizinha Índia). Globalização é isso e cada uma faz sua olimpíada.”
Escrito por Paulo Gustavo às 09h52
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
CRÔNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA
O chamado Novo Acordo Ortográfico anuncia a morte do trema. Sou — talvez ao contrário da maioria — daqueles que admiram e usam o trema. Sei que já estava praticamente fora de moda, um tanto inativo depois de tantos bons serviços prestados. Muitos o mataram antes de dado como morto, clinicamente morto, morte cerebral (Para que o trema? Qual a sua lógica?). Agora o trema vai para o brejo, onde já estão a vaca e outros bichos vítimas da ingratidão humana. Dirá o “idiota da objetividade”, como falava Nelson Rodrigues, o trema não muda nada, deixa tudo como está, obriga uma pronúncia que já existe na língua oral. Fora, pois, com o trema! Esquece-se, assim, a face poética do trema, seu par de pontos sempre unidos como se indicassem as paralelas invisíveis que vão dar no fim do mundo, como um par de olhos a nos espiarem por cima do “u”, piscando com a cumplicidade de um discreto encontro, como dois pingos exilados de alguns “ii”, prestes a derramarem alguma sentida lágrima, como duas minúsculas mandalas a insinuarem desconhecidos orientes... O trema, como as reticências, sempre tem algo de pacífico ou de perturbador...
Agora, o trema se vai como se seus pontos tivessem sido apenas reles parasitas. Parasitas sobre os quais pulverizaram a falta de imaginação coletiva.
Escrito por Paulo Gustavo às 09h45
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
CAYMMI
Com a morte de Caymmi, foi-se mais uma pedaço do século 20 no Brasil. Não sai da vida para entrar na História, já era história — e que história! — do nosso patrimônio artístico e cultural. Foi e continuará a ser um ícone de nossa música, da melhor música já produzida neste país. Suas imortais canções traduzem um modo de ser brasileiro e de ver a realidade. Em sua aparente simplicidade, conseguia milagres rítmicos e melodiosos com um poder de comunicação tão espantoso quanto sedutor. Em seu lirismo, tantas vezes inspirado na terra natal, soube superar o localismo provinciano, encarnando uma espécie de personagem totêmica do cancioneiro nacional. Desse modo, soube ir além do folclórico e do pitoresco para expressar uma voz reconhecidamente brasileira. E nessa voz, que tanto ecoa o lamento e a nostalgia de sabor africano, tanto se revela a força do samba como ritmo nacional quanto o acalanto que faz sonhar crianças e adultos. De Caymmi, podemos dizer, parodiando Vinicius que veio em ondas como o mar, em ondas largas e calmas, preciosas por chegarem às praias, preciosas e cristalinas por também serem colhidas já maduras, sem “a pressa que aniquila o verso” da qual falava o poeta pernambucano Edson Régis.
Escrito por Paulo Gustavo às 12h15
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|