MESTRE SÍLVIO SANTOS
COMEMORA 50 ANOS DE SEU GRUPO EMPRESARIAL
Leio na mídia que Mestre Sílvio Santos comemorou ontem os 50 anos do seu grupo empresarial. Repito: Mestre Silvio Santos. Trata-se de uma aula viva de comunicação, de sábia exploração dos recursos da oralidade, da expressividade cênica, da sedução pela palavra. Repetitivo? Que grande orador não o foi? Mestre Sílvio sabe como ninguém tirar partido das repetições, nas quais, quase sempre, vai enxertando novas palavras e novos avanços de aproximação com o interlocutor e a audiência. Em seus agora já antigos programas, seu aparecimento era algo triunfal, de um vigor cênico raras vezes encontrado na Televisão, nisso rivalizando com nosso conterrâneo Chacrinha. Sem chegar à empatia, Sílvio encarna a simpatia militante, atuante, pragmática, capaz de gerar resultados e que de fato gerou, haja vista a vitalidade de suas criações empresariais. Quem é da área de Comunicação sempre tem muito a aprender com ele, com o sempre Mestre Sílvio Santos.
Escrito por Paulo Gustavo às 08h53
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PALHA DA CANA TECNOLÓGICA?
São graves as denúncias feitas pelos trabalhadores do estaleiro Atlântico Sul e da Refinaria Abreu e Lima — dois grandes empreendimentos do Pólo Industrial de Suape, em Pernambuco —, publicadas no Jornal do Commercio, do Recife, esta semana. É verdade que muitas das empresas ali instaladas têm feito um maciço investimento em capacitação, suprindo as lacunas de educação da mão-de-obra local, oriunda sobretudo da chamada “palha da cana”. E também é verdade que os trabalhadores têm correspondido, vislumbrando um novo e promissor futuro. Até aí, morreu (ou nasceu) o Neves. No entanto, a serem verdade as denúncias de maus-tratos, é preciso o braço forte do poder público, da Justiça do Trabalho, para coibir esses abusos de poder, dignos da pior tradição patriarcal dos velhos engenhos que floresceram em terras pernambucanas. Gente — é escusado lembrar — tem de ser tratada como gente, sobretudo quando inferiorizada por situações subalternas. Por trás da tecnologia, não deve perdurar o ranço da escravidão, muito embora perdurem os preconceitos, e as diferenças culturais sejam catalisadores de gestos que em nada dignificam a grandeza daqueles empreendimentos.
Escrito por Paulo Gustavo às 08h52
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ENTRE GIGANTES
Amanhã, 23 de setembro, às 15 horas, farei a palestra Guimarães Rosa: Travessias Freyreanas na sede da Academia Pernambucana de Letras, no âmbito da primeira reunião ordinária de 2008 do Seminário de Tropicologia da Fundação Gilberto Freyre. Em nossa década, o tema, embora um tanto tardiamente, vem sendo abordado por dois renomados e agudos especialistas em Guimarães Rosa: Wille Bolle e Kathrin Rosenfield. Além de apresentar esse estado da arte, avançarei na metacrítica e em paralelismos outros — tanto literários quanto existenciais — dos dois gigantes da cultura brasileira.
Durante muito tempo, por motivos mais provavelmente políticos que literários, a crítica brasileira silenciou a respeito da comparação Freyre–Rosa, relação que está a merecer — pela matriz temático-social de ambos os autores — uma maior atenção dos especialistas. Entre gigantes, cabe à verdade dizer da modéstia dos meus pigmeus objetivos na palestra a ser proferida.
Escrito por Paulo Gustavo às 14h17
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