DUROS E DOIDOS EM 2009
Nada como um especialista para dizer o óbvio com a graça e a solidez de sua ciência.
Agora mesmo, os psiquiatras pátrios encontram-se em Brasília em congresso nacional. E o que os preocupa? A crise financeira global. Segundo eles, tempos de crise de dinheiro — a conhecida “dureza” — são catalisadores de perturbações mentais. Como se já não bastasse a nossa doidice cotidiana, chega a outra doidice para nos perturbar como uma fera solta pelo mundo. Por ora, como o leitor ou a leitora observará por este texto, ainda não enlouqueci, mas 2009 me espreita de olhos arregalados.
Os psiquiatras sabem do que estão falando, já viram antes e inúmeras vezes esse filme dramático. Aliás, não estão sós, mas na companhia de Santa Edwiges — a protetora dos endividados — que ontem em nossas paróquias foi festejadíssima. Penso até que já estão fazendo promessas pré-datadas à santa, claro que de olho em 2009 quando os bolsos ficarão mais vazios. Enfim, o panorama para os brasileiros assim se anuncia: os mais abastados pagarão aos psiquiatras e os pobres, mais uma vez, recorrerão à força celestial da boa Edwiges.
Escrito por Paulo Gustavo às 09h41
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DIA DO PROFESSOR: AI QUE PREGUIÇA!
O Dia do Professor no Brasil deveria ser um dia de reflexão nacional sobre a Educação, área que talvez seja o maior gargalo para a nação e os governos brasileiros.
A óbvia importância do Professor e da Educação requer muito mais do que os arrazoados pedagógicos que proliferam na cabeça de teóricos de todos os matizes. No caso brasileiro, requer urgência de coisas simples, práticas, eficientes. Requer atitudes que não saem do papel, dos gabinetes, das teses. Atitudes que tardam e põem em perigo o próprio futuro da nação. Por ora, só há vozes isoladas que “clamam no deserto”, só há heroísmos insulados pela falta de comunicação e de apoio governamental. A valorização do professor deve passar por uma ampla política de Estado, acima das questões partidárias e regionais ou paroquianas.
Como país em desenvolvimento, como país injusto, como conjunto de nações escandalosamente desiguais, estamos perigosamente longe daqueles países que deram o grande salto da Educação. Diante, por exemplo, dos “tigres asiáticos” — para ficar apenas nesta tosca comparação — somos um felino sem garra, “garfieldianamente” preguiçoso e preocupado com o próprio umbigo, um ser mofino a se contentar com a própria imagem diante de um espelho irreal. Esse imediatismo do presente — tão fictício quanto nocivo — não nos levará a futuro algum.
Escrito por Paulo Gustavo às 15h36
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STANISLAW PONTE PRETA
Já estava na hora de as novas gerações tomarem conhecimento do inesquecível carioca Sérgio Porto ou, melhor dizendo, de Stanislaw Ponte Preta, misto de personagem e pseudônimo. Cronista, “humorista a sério”, frasista, criador de uma galeria de tipos inspirados na sociedade carioca, Ponte Preta marcou toda uma geração com a sua irreverência e o seu humor. Passados quarenta anos de seu desaparecimento, volta à cena tão atual como em 1968, tão cheio de graça como o povo carioca. Dentre tantas criações, talvez a que mais continue contemporânea seja o famoso Febeapá — o Festival de Besteiras que Assola o País. É verdade que muitas besteiras já viraram pó e páginas viradas, mas surgiram novas, novíssimas, a merecer o “estudo” dos novos humoristas. Há muitas lições no Mestre Ponte Preta, que agora ressurge para gáudio da galhofa e do espírito crítico.
Escrito por Paulo Gustavo às 09h41
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CHOVENDO NO MOLHADO SOBRE “OS SERTÕES”
Euclides da Cunha, como se sabe, dividiu sua obra-prima em três grandes partes: a Terra, o Homem; e a Luta. Essa perspectiva, que remete ao teatro — palco, personagem e drama —, sempre foi um “osso” para a leitura linear da grande obra, não obstante Euclides ser antológico em todas as partes. Mais que a segunda parte, a primeira é extremamente maçante para o leitor comum. É na terceira parte que o gênio de Euclides parece ter se revelado ainda mais como autor literário. Sem literatura, sem substrato estético, sua obra há muito estaria relegada apenas às prateleiras de raros especialistas, senão completamente morta. A Luta é que é a maravilha de Os Sertões, na qual — como observou, com agudeza, o crítico e poeta César Leal — há muito mais de tragédia do que propriamente de drama.
Enquanto poucos brasileiros tem se inspirado em Euclides, o “mundo” parece estar de olho nele, como é agora o “recente” caso do nobel francês, Le Clézio, que o reconhece como uma de suas influências, e como foi o caso do peruano Mario Vargas Llosa.
Escrito por Paulo Gustavo às 10h25
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