VISÃO DE NATAL
Consta que o tema da redação era o Natal e igualmente consta que o autor assim a começara: “É Natal, os sinos bimbalham!”. Nota-se por tal início que quem escreveu isso não tinha a menor condição de seguir em frente no seu texto. Esse começo já expressava tudo sobre sua visão de Natal. Para o autor, tautologicamente, o Natal era mesmo o Natal. Faltaram-lhe as palavras. O Natal era também só o presente. Quanto aos sinos que bimbalham, há de se convir que o mau gosto é a música que toca nesses sinos. Sinos menos alegres que ruidosos. Enfim, eis um texto que é uma síntese, embora de sinal negativo. Dito, falado, quase a não depender de interpretação, torna-se cômico. Apenas lido, pode nos ajudar a pensar que o Natal pode ser muito diferente de um lugar-comum!
Escrito por Paulo Gustavo às 13h36
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SIGLAS!
Os burocratas — públicos ou privados! — adoram siglas. Feitas para simplificarem, viram-se, como um feitiço, para complicar e até infernizar o cidadão. Algumas lembram onomatopéias, outras interjeições, outras termos de baixo calão. No serviço público federal brasileiro, por exemplo, há toda uma família “Si”: Simec, Sicaf, Siape, Siafi... Por que não Sivire, Silasque, Sidane?... Tenho, caro leitor e generosa leitora, fobia às siglas: são criaturas de duas caras e sem direito à psicanálise. Às vezes, então, elas se agrupam e andam aos bandos na melhor tática de “unidas venceremos”. E vencem mesmo qualquer paciência ou tentativa de clareza. A rigor, elas golpeiam as instituições que representam. Dentro dos próprios órgãos, numa reprodução pouco charmosa e assexuada, elas se multiplicam, valem por um código secreto. Quem é de fora, ficar a ver navios. Pra mim, é grego e grego antigo! Os gestores, por sua vez, não dirigem nada, dirigem siglas, e quando pensam que dominam todas já estão perdidos de novo. Sugiro um curso: Gestão de Siglas: sigla por aí (com trocadilho e tudo!). Enfim, sigla, ao que parece, é para profissionais, não para leigos. Sem elas, o mundo já não vive!
Escrito por Paulo Gustavo às 16h35
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JESSICA MARTINS: VIDE VERSO
A artista plástica (www.jessicamartins.com.br) participa, na próxima sexta-feira, 21 de novembro, da exposição Vide Verso, no Shopping da Decoração (Av. domingos Ferreira, 1274, Boa Viagem, Recife), que vai até o dia 03 de dezembro.
Jéssica estudou pintura na Escola de Belas Artes do Recife e comunicação visual na UFPE. É técnica em desenho arquitetônico e designer de móveis e objetos. Realizou cursos de fotografia, videomaker, linguagem cinematográfica e cenografia. Ensina desenho e pintura no Museu do Estado de Pernambuco.
Escrito por Paulo Gustavo às 11h52
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ZUMBI COM MACUNAÍMA!
Mais de trezentos municípios brasileiros vão parar amanhã, quinta-feira, celebrando o Dia da Consciência Negra. Deixam de trabalhar, deixam de produzir. Talvez muitos caiam na tentação de imprensar a sexta. Em plena crise! Que crise? Pernas pro ar que ninguém é de ferro, além do mais esse negócio de homenagem dá muito trabalho!...
Escrito por Paulo Gustavo às 11h35
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EFEITO ESTUFA
— Trata-se de um imbecil, nota-se pelo estilo de sua crônica.
— Aliás, ele fala assim. Pessoalmente, é a mesma coisa. Fantasia-se com um discurso que ser quer moderno, inovador. No fundo, é retrógrado. É uma voz à procura de talento.
— Não é uma voz, mas duas vozes: a de falsete se sobrepõe à primeira. Observe os adjetivos e as citações.
— Novamente, digo que pessoalmente é a mesma coisa. Parece um eterno ator, muito embora canastrão.
— Tire esse “ão”. Qualquer idéia de grandeza não lhe convém!
— É impossível lê-lo até o fim.
— O começo já é o fim da picada.
— Estilo paradoxal.
— E de pavão todo enfunado.
— Dão-lhe gás.
— Gás tóxico. Irrespirável!
Escrito por Paulo Gustavo às 09h13
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A CRISE ETERNA!
Se pesquisarmos em revistas e jornais, pelo menos, ao longo do século 20, logo veremos que a crise brasileira é eterna! O país vive em crise como um adolescente. Em períodos ditos “democráticos” ou em períodos “autoritários”, lá está a crise. Na falta de uma palavra mais exata, lá vem a crise outra vez, e nela, nesta palavra-ônibus, entra tudo o que é passageiro. É muito estranho um povo a viver perpetuamente em crise, como se nunca houvesse um chão seguro para a estabilidade. Ora é a crise na saúde, ora é a crise na segurança, ora é a crise na política, ora na economia. Pequena ou grande, elástica ou rígida, parcial ou generalizada, a crise sempre se apresenta, ou melhor, sempre está bem instalada, confortavelmente instalada. A crise adere aos nossos poros, circula em nosso sangue, fura o nosso bolso, estarrece, conspira, pode matar ou infligir síndromes, doenças, patologias, paralisias. Um diabo, desses que de vez em quando fogem do inferno para anunciar as crises, me confidenciou que lá no reino de belzebu a coisa é mais tranqüila: não tem crise e, muito menos, crase para apoquentar ninguém.
Escrito por Paulo Gustavo às 12h46
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É NATAL: NO RECIFE, OS BANDIDOS FAZEM A FESTA
Penso que no Recife poderia ser criada a personagem do Ladrão Noel. Aliás, generoso leitor e estimada leitora, parece que a realidade não me desmente. É Natal no Recife e os ladrões fazem a festa. Ladrão Noel é aquele que leva os presentes que você comprou, além do seu celular, da sua carteira, etc. O bom Ladrão Noel também pode levar as próprias pessoas, algumas, quem sabe?, até para a própria eternidade que, assim, se antecipa festivamente pela boca de um revólver 48. Se encontrar o Ladrão Noel, por favor, mantenha a etiqueta e não reaja, ou seja, não atrapalhe a festa dos meliantes. Seja um assaltado solidário, como requer a festiva e mística época de fim de ano.
Escrito por Paulo Gustavo às 10h32
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O ALEGRE E POPULAR
CENTENÁRIO DE MACHADO DE ASSIS
Deve ser muito perigoso para um bom escritor fazer cem anos — de vida ou de morte! Vejam agora o caso do Machado. Esquecem da “poção mágica” do Bruxo do Cosme Velho, tiram suas vísceras e colocam outras. O aspecto literário vem em último lugar, como um primo pobre em casa de primos ricos.
Tem gente que lê Machado desde o sexto mês de gravidez... da própria mãe. Essa é a chamada “leitura” interior, intimista. Por sua vez, tem político que votou em Machado desde a primeira eleição. É o chamado “voto-ficção”! Teria Machado sido gay? Claro que sim, está na cara que Bentinho o era desde criancinha. Machado sempre tratou de gênero. E a intimidade com Carolina? Aquilo é que era um romance amoroso...
Outro dia na Rua Machado de Assis, alguém me perguntava: “— Era aqui que morava o Xuxo do Cosme Velho?”. Respondi que sim e que ele fazia a alegria da criançada.
Escrito por Paulo Gustavo às 09h36
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CONVERSA DE TELEFONISTAS
— A voz dele me excita. Fico perguntando o número como se não tivesse entendido só pra escutar de novo.
— Mas também tem B., aquele do expediente da tarde. Minha filha, o que eu não daria pra ficar com aquela voz no pé do ouvido. Minha mão chega treme na hora de fazer a ligação. Parece que é casado.
— Minha filha, a voz de F. é bonita até quando ele tá resfriado. Um dia desses, deu um fungado no telefone que eu tremi nas bases.
— Um que tem a voz de garanhão é J.,aquele do gabinete da presidência.
— Minha amiga, é só a voz, é casado e tem jeito de padre. Esse negócio de voz engana muito.
— E o novato do almoxarifado?
— Mas esse faz poucas ligações.
— Sabe a idéia doida que eu tenho: sair oferecendo ligações pra esses homens que têm a voz bonita.
— E Pato Rouco?
— Pode ser rouco, mas não é pato. Andou me olhando de cima a baixo, parecia que estava tirando a minha roupa.
— Dizem que ele tem um caso com aquela doida de Recursos Humanos.
— A central hoje tá tão silenciosa.
— Faltou muita gente. Esquecesse que é feriadão?
— Telefonista! Bom-dia! Como? Não ligo pra ninguém, hoje não! Estou na praia com uma amiga.
— ???????
Escrito por Paulo Gustavo às 08h58
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