BLOGUEIRO NÃO É DE FERRO E TIRA FÉRIAS
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NA PRIMEIRA SEMANA DE FEVEREIRO, ESTAREI DE VOLTA!
SEMPRE GRATO PELA ATENÇÃO.
ABRAÇOS.
PAULO GUSTAVO
Escrito por Paulo Gustavo às 20h55
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AS ESQUINAS DE PROUST
É lamentável que Proust seja tão pouco lido no Brasil.
Mesmo àqueles para quem a leitura é um hábito, a obra proustiana é um tanto assustadora. Há uma fadiga só de olhá-la completa (refiro-me, naturalmente, a Em busca do tempo perdido) na estante ou de ver seus sete volumes empilhados como uma massa verbal talvez arisca ao gosto da maioria das pessoas. Há quem comece e pare a leitura no primeiro volume. Outros tomam ao acaso qualquer deles. A maioria já ouviu falar que Proust é um autor de longas frases e de não menos extensos períodos. E ninguém quer perder-se numa espécie de amazônia literária, além de em tais casos faltarem GPS e simples e prosaicas bússolas! Um ou outro leitor já leram alguma reflexão de Proust e sabem que se trata de um autor "sério", "profundo" e "refinado". Vêm à mente a expressão "clássico" como um fantasma pairando sobre bibliotecas mundo afora, acima dos "mundanos tetos"...
Numa espécie de irônico espelho proustiano, as pessoas - leitores em potencial - imaginam tudo, menos o que de fato está na própria obra! Como ocorre com relação a qualquer outro clássico, já se tem, antes da leitura, uma vaga idéia "do que se trata". Proust já decerto imaginara tudo isso. Sabe-se que ele mesmo se comparara a alguém que tem uma tapeçaria muito grande para os "pequenos apartamentos do tempo presente [final do século 19 e começo do 20]". Para retomar a imagem, o leitor proustiano há de ser necessariamente um "apartamento grande" para comportar a rica e criativa "tapeçaria" do autor. É fácil imaginar que alguns trechos dessa "tapeçaria" podem ser apreciados e muitos outros não. Sem "espaço", grande parte da criação proustiana fica de fato impraticável. O risco da parcialização é grande e até inevitável, mas Proust, com seus longos "fios" coloridos e sinfônicos não teve outro caminho para ser fiel a si mesmo e à sua criação. Não estava escrevendo - como até muitos acharam - sobre ou para o seu próprio tempo. Sua ambição encontrou um criador à altura e sua criação encontraria o "grande apartamento" do mundo: a universalidade de uma obra que só é comparável aos grandes monumentos literários de todos os tempos. E nela se empenhou como se prolongasse a própria vida. Numa dúzia de anos - os últimos! - entregou-se a um trabalho para o qual sem o saber (?) vinha se preparando ao longo de sua curta e enferma vida. O que lembra uma espécie de "processo de individuação" para evocarmos a teoria de Carl Jung. E aqui mais uma ironia para quem tanto duelou para que as obras fossem medidas não com o metro biográfico, mas com o metro da estética e da arte literária!
Proust tem muitas esquinas e sinuosidades. É, ao mesmo tempo, um líquido e um perfume e de ambas as formas espalha-se, como se chegasse a todos os lugares e a lugar nenhum. Como líquido encharca, se avoluma e ocupa todos os espaços pelo caminho; como perfume, é evanescente, vaporoso e embriagante; não o vemos, mas está presente como uma atmosfera, como um oxigênio forte para a nossa asma habitual. A asma da inércia mental que não nos deixa ver os matizes da "tapeçaria" vasta e contraditória da realidade. Não foi Proust o grande asmático, somos nós que, à falta de uma mente brilhante como a sua, sufocamos sem a beleza que alimenta o espírito e sem a sabedoria a que ele próprio chegou.
Para "dobrar" as esquinas de Proust há que se ter paciência e entrar no seu ritmo que, atento ao maravilhoso, nada tem de vertiginoso ou febril. Antes, será o ritmo dos laboratórios; e, no caso, de um laboratório em que a sociedade, a arte, a cultura e a alma humana estão sob análise, até porque o escritor, bom fruto de sua época, também procedia como um cientista e um estudioso e não só como um "artista romântico" e "impulsivo" em que uma certa caricatura do Romantismo nos obrigou a crer fatalmente plausível. O artista é menos "artista" do que tal retrato e, como o narrador da Recherche, parece recuar para se colocar adiante do seu tempo.
Escrito por Paulo Gustavo às 11h07
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INFLAMÁVEL!
Um comentário de Frei José de Lorena, da Ordem dos Sacanas Menores
"Paulo amigo, a notícia é quente pra cacete. Na Austrália, uma mulher vai a júri acusada de ter incendiado o bilau do marido. O bilau?, direis. O próprio. O bicho vinha em fogo morto e a mulher suspeitou de um cálido chifre. Inflamável, como se sabe, pela própria natureza, o bilau entra em combustão espontânea ou provocada. Não sei se os bombeiros foram chamados. Suspeito apenas que a mulher também estava sem fogo próprio e resolveu apelar para essa tecnologia milenar. Enfim, uma mulher ardente às custas do que estava facilmente à mão. Nada de viagra, nada de efeitos colaterais, mas efeitos imediatos. Sem falar na pirotecnia. Desconheço se o infeliz bilau ficou bem passado ou mal passado, não importa, o que conta - não se pode negar - é que a mulher agiu em legítima defesa!"
Escrito por Paulo Gustavo às 10h01
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Da série DIÁLOGOS MUITO RÁPIDOS
- Já notou que há sempre uma guerra em janeiro lá no Oriente?
- A turma não tira férias!
- Sinto saudade do trema!
- Continuo apaixonado pela crase.
- E a Dilma, hein, vai desempacar?
- Melhor bater na madeira: pac-pac-pac!
- Antes da crise, o "pré-sal" tinha outro sabor...
- Agora já provoca pressão alta!
- Em Cuba, comemoraram os 50 anos da Revolução.
- E sem sair do vermelho!
- A Lei Seca pegou?
- Tem gente que já está bêbada!
- E a Cidade da Música lá no Rio?
- Cidade das notas perdidas.
- Os novos prefeitos ainda não têm cara de prefeitos.
- Mas têm cara de quem sabe o caminho das pedras.
- Esqueci o que significa FHC.
- São consoantes mudas!
- A Carla Bruni tem uma pinta...
- Não vi, mas é fácil: Sarkozy!
Escrito por Paulo Gustavo às 12h57
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O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO
Agora não adianta chorar o leite derramado. Mas...
Penso que perdeu-se uma oportunidade de se fazer um acordo sobre uma reforma mais profunda. Mais acentos deveriam ter caído: todos os das proparoxítonas e quase todos os das paroxítonas. Se a língua portuguesa tem a tendência natural de ter a sílaba tônica na penúltima sílaba, para que tanto acento nessas palavras? No caso das sempre charmosas proparoxítonas, não custa lembrar que um dia já foram sem acento e nem por isso deixaram de ser corretamente pronunciadas! Na verdade, com pequenas exceções, a relação entre som e grafia de nossas palavras é muito simples e muito constante e, por outro lado, é mais que natural que as pronúncias variem conforme a região. Mas os doutos gramáticos e filólogos lusófonos sempre preferem a via mais complicada, ou seja, têm uma queda atávica pelos acentos inúteis. É como se no processo de alfabetização a criança fosse um pequeno idiota que, ao ver a palavra sem o inútil acento, fosse pronunciá-la de outra forma. Noutras palavras: subestima-se a inteligência de quem aprende a ler e escrever.
O esforço político-diplomático perdeu uma grande chance de simplificar muita coisa. Ao pensar assim, estou longe de querer e advogar uma impossível e completa racionalidade. Lembro apenas que a ortografia - mera superfície - é algo social e, assim, inevitavelmente ligada às estruturas de poder político. Talvez por isso os conservadores saiam sempre ganhando e deixem de lado os cientistas da linguagem, os lingüistas, os grandes alijados do processo. O fato é que mais dia menos dia a simplicidade e a razão triunfarão.
Por outra parte, o Novo Acordo, ao chamar a atenção para esse caráter superficial da ortografia, termina por fazer esquecer os problemas de ensino do Português no Brasil. Ensino perverso para os competentes e ainda mais para aqueles que, pela própria natureza, têm dificuldade de se expressar verbalmente. Por ora, os doutos e os semidoutos, com sua habitual miopia, ainda não viram, como queria Wittgenstein, como a mosca pode sair do vidro!
Escrito por Paulo Gustavo às 11h43
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