O NORDESTE NÃO É UM IMENSO BALNEÁRIO! Para muita gente — e muita gente boa! — da Região Sudeste, o Nordeste, nas férias de verão, não passa de um imenso balneário. Essa visão, que tem seu fundo de verdade, simplifica a imagem real da região. O Nordeste, assim, tem aquele sabor pitoresco tão agradável a um certo etnocentrismo carioca e paulista. É como se o Nordeste fosse uma longa e única praia com as falsamente idílicas jangadas do passado. Imagem que, de certa forma, é o avesso do Nordeste da seca e do sertão sofrido e miserável. Enfim, ou isto ou aquilo. Pelo positivo ou pelo negativo, uma imagem contrastante, dupla, que esconde ou parece esconder o Nordeste real e verdadeiro. Nordeste que, mesmo periférico, vem se desenvolvendo mais que a média do próprio País. Infelizmente, o que mais a Região tem e está construindo ainda é bastante ignorado. Prospera a desinformação, prosperam os mitos. E o próprio Nordeste precisa se mexer mais para mostrar que as coisas não são assim tão simples de ver — ou de se imaginar.
Escrito por Paulo Gustavo às 11h29
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DILMA EM CARNE E OSSO! Dilma, a pré-fabricada candidata à Presidência da República, afirmou que o PAC é “de carne e osso”. Ocorre-nos perguntar se ela própria será de carne e osso. Pelas pesquisas, a radiografia do momento mostra que ela só tem osso (aliás, nada mais natural numa radiografia). Também nos ocorre refletir que Dilma, nesse mesmo sentido, pelo que se comenta, é igualmente um “osso”, difícil de roer pelos petistas e pelos oposicionistas, sem falar dos que com ela despacham habitualmente. Diz-se que fez plástica, mas ao que se saiba uma plástica não vai até o osso! Quanto à “carne”, não se sabe se a dita candidata vai engordá-la nesses tempos de crise, ou seja, de vacas magras. Entre o osso e a carne, parece faltar um indispensável molho. Sobre isso só o tempo responderá. Por ora, seu molho é unicamente a gordura de Lula. Mas, pelo andar da carruagem, já se viu que Lula é um fenômeno único, singular, e que por isso mesmo pode não transferir “gordura”, ou seja, votos, para a sua pré-fabricada presidenciável.
Escrito por Paulo Gustavo às 11h07
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O FILHO POUCO ETERNO! É possível um livro ganhar os mais lustrosos prêmios de literatura e ser medíocre? É possível. É possível a mídia saudá-lo unanimemente como o melhor romance do ano? É possível. Com a nuvem da generosa unanimidade sobre a obra e os sóis de vários prêmios sobre ela, é difícil não se ficar curioso e se procurar ler, ainda respirando incenso, um livro assim tão aparentemente interessante. Foi assim que me debrucei, não sem alguma ânsia, sobre O Filho Eterno de Cristóvão Tezza. Pouco me importava se a obra era de inspiração biográfica, embora muitas obras literárias o sejam sem prejuízo de suas qualidades formais intrínsecas. O fato é que me decepcionei com o “romance”. Entre aspas porque não chega a ser romance. Não nego que a escritura de Tezza seja interessante e até agradável de ser lida: tem fluidez e alinhava metáforas criativas que a enriquecem. O ritmo é ágil e ajuda a se tocar no ponto final. O que não ajuda é o tratamento dado ao tema (a relação do pai com o filho que tem síndrome de Down). O que não ajuda é a monotonia e a repetição das mesmas imagens para expressar a racionalização do desencanto e dos problemas advindos pelo nascimento da criança. Aliás, é cansativa a repetição das piadas íntimas sublinhadas pelo narrador, como se nos dissesse todo o tempo “apesar de tudo, sei sorrir!”, numa ênfase desncessária. Por outro lado, o pai, como personagem e introspectivo narrador, não convence, dá a impressão de que está numa sessão de análise todo o tempo, dividido entre ego e superego, o que não é novidade e apenas simplismo. O desenrolar da trama (se é que se pode falar em trama) se dá de modo extremamente fragmentário, sem qualquer aprofundamento digno de nome. O pano de fundo, como mostram os flashbacks, seria a formação aos trancos e barrancos do próprio pai, alguém que é contra o “sistema” e fruto dos “anos de chumbo” e da ditadura no Brasil, inadaptado à sociedade e que luta para ser reconhecido como escritor. Nesse sentido, o personagem é mais um tipo (um tipo, aliás, já bem gasto e envelhecido com as convenientes tintas da contracultura, etc.) Em vários momentos (infelizmente, não posso apontá-los aqui), é surpreendemente gratuita a inserção das associações intelectuais do “pai”, o que dá a impressão de pouco articulação do texto narrativo e de que o autor apenas “encheu a lingüiça”. Fica a sensação de que o livro não está pronto, que é apenas um rascunho de algo que poderia ser muito melhor dada a análise psicológica que o tema ensejaria. Imagino que Tezza tenha força literária para muito mais e que os prêmios não lhe subam à cabeça. Os senões de O Filho Eterno não lhe tiram o brilho próprio, mas nos dizem que seu fulgor é bem menor do que aquele que a mídia e as láureas já lhe garantiram. Torcemos por Tezza.
Escrito por Paulo Gustavo às 11h56
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