CANIVETE SUÍÇO, LÂMINA EUROPEIA Conheço há muito tempo o meu xará Paulo Oliveira, pai da advogada agredida na Suíça, e aqui externo a minha total solidariedade. Na verdade, por mais que a diplomacia, de um modo geral, ponha panos mornos, a dura e terrível verdade é que a Europa se fecha cada vez mais à imigração e à presença de estrangeiros. A emergência da atual crise econômica, é óbvio, só vai agravar a situação. Todavia, é preciso uma voz mais enérgica do nosso país para que se respeite o brasileiro no continente europeu. É absolutamente intolerável sermos vítimas de uma intolerância que extrapola as regras mais civilizadas, aliás sempre esperadas da parte daqueles que alcançaram melhores patamares econômicos e sociais. A xenofobia, que por si só já é uma perversão, anula distinções e identidades e alimenta uma cadeia de medo e horror que convém deter. O Brasil e os brasileiros não merecem nem devem ser tratados a golpes de canivete e mesmo a golpes verbais que insultam a dignidade e a honra do país e de cada um. É preciso elevarmos o tom — quem sabe seremos ouvidos!
Escrito por Paulo Gustavo às 09h37
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LULA JÁ ESTÁ EM CAMPANHA. E PODE? Hoje, no Estadão, o ex-presidente Fernando Henrique afirma que Lula, antecipando a campanha, está ferindo a lei. E está mesmo. A disputa pela sucessão presidencial já começou e não só nos bastidores, aliás como ocorria antes de Lula. Agora, o jogo, à revelia da lei, é jogado todos os dias pela máquina governamental. Com hipnotizante popularidade, Lula não está nem aí e não perde tempo de expor sua candidata pré-fabricada. Enfim, as oposições que se virem. Nem as oposições reagem nem a chamada Justiça Eleitoral. Sedento, o presidente não poupa saliva e, com o poder midiático que exerce por si mesmo, vem continuamente subindo nos palanques e, já estrategicamente, subindo o tom, pavimentando assim a estrada para Dilma. Sem resistência à altura do seu carisma, Lula, apesar da crise econômica, aposta no seu projeto continuísta. Já as oposições, em crise de identidade, patinam para achar uma saída. E a lei? Ora, a lei é um pedacinho de papel...
Escrito por Paulo Gustavo às 10h21
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UM DIA PARA O RECIFE, OUTRO PARA OLINDA Olinda e Recife acabam de ganhar, cada uma, os guias turísticos Um dia no Recife e Um Dia em Olinda, de autoria do arquiteto e consultor de empresas Francisco Carneiro da Cunha (sócio e fundador da TGI Consultoria em Gestão) e do artista plástico e Ph.D. em Física Plínio-Santos Filho, hoje à frente da Agência de Estudos e Restauro do Patrimônio – Aerpa. Produzido pela Aerpa e com patrocínio da Finep/MCT, os dois guias contam com uma edição primorosa que valoriza o patrimônio arquitetônico e cultural de ambas as cidades. Os autores, além de se preocuparem com aspectos úteis e funcionais — como exclusiva criação de roteiros, farta sinalização gráfica, citação de serviços, etc. —também se voltaram para a criação de um produto estético, tão belo graficamente quanto agradável de ser consultado, ao qual se agrega uma série de relevantes informações históricas e culturais sobre as cidades. Há muito — é indispensável enfatizar — Recife e Olinda esperavam guias assim, feitos com profissionalismo e amor à terra, capazes, com um simples golpe de vista, de conquistar turistas e nativos. O diferencial — como esclarece o subtítulo dos livros — é que se trata de um guia turístico para visitação a locais históricos. É esse diferencial e essa motivação que dão aos guias o sal de uma atenção a um patrimônio muitas vezes oculto na trivialidade do cotidiano e no silêncio do descaso público. Como na música de Chico Buarque (Pra mim, basta um dia...), os autores marcaram, desde o título, que, mesmo num curto espaço de tempo, a arte e a história das duas cidades se abrem e se mostram para quem tem olhos de ver, aprender e se deleitar. Assim, com um único e exclusivo dia, o Recife e Olinda se doam e se entregam ao turista mostrando por que ambas são cidades de fato (e sem favor algum) muito especiais. Finalmente, pelo andar da carruagem, ou melhor, pelo andar dos dois parceiros dessa reconquista, a caminhada não vai parar por aí. Enquanto aguardamos, convido a todos para andar pelo Recife e por Olinda em companhia de Francisco e Plínio, com os quais tenho a alegria de compartilhar essa vitória e uma velha e longa amizade.
Escrito por Paulo Gustavo às 11h45
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LANÇAMENTO: UM GUIA PARA O RECIFE, OUTRO PARA OLINDA Francisco Carneiro da Cunha e Plínio Santos-Filho lançam hoje, 10/02/09, os livros Um dia no Recife e Um dia em Olinda, dois guias para conhecer as duas cidades. O evento será na Livraria Cultura do Paço Alfândega, no centro do Recife, a partir das 19 horas, com a presença dos dois autores pernambucanos.
Escrito por Paulo Gustavo às 12h03
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O CASTELO DO HOMEM SEM ALMA Não me refiro, leitor, ao romance de Archibald Cronin, traduzido por Rachel de Queirós, publicado no Brasil em 1931. Refiro-me ao castelo do corregedor da Câmara Federal e ao seu proprietário. É assim: quando já vimos tudo, ainda não vimos nada e paira diante de nossos olhos de “otários” um suntuoso castelo no interior de Minas Gerais. Nada como um plebeu esperto para erguer um exótico e prosaico castelo no sertão brasileiro e levar “amigos” embasbacados para curtir as delícias do seu sonho de nobreza. Para nós, “plebeus” da planície, a mídia mostra uma miragem de conto de fadas, um delírio. Extingue-se a imagem, vira-se a página, e parece que aquilo nunca existiu, desfazendo-se no ar como uma visão de As Mil e Uma Noites. E, no entanto, o que precisa ser virado das páginas de nossa política é o “homem sem alma” que seduz tantas almas para o seu castelo. Um castelo tão emblemático que dispensa outros comentários. Tão infernal que nos dispensa de mandá-lo para o inferno!
Escrito por Paulo Gustavo às 10h01
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