FORA COM ESSA LITERATURA! Do jeito como a coisa hoje é praticada, sou pela total exclusão da Literatura Brasileira dos exames vestibulares. A Literatura Brasileira, tal como apresentada aos jovens, no Ensino Médio, é de fazer qualquer um correr das Letras como o diabo corre da cruz, e isso sem a velocidade do diabo, que vai de 0 a 100 em menos de um segundo. Por falar em diabo, pode-se dizer que a Literatura Brasileira vem sendo desfigurada pelos demônios não só do vestibular como do próprio ensino ou da própria pedagogia. Na verdade, estuda-se uma sintética e muitas vezes pasteurizada história da literatura. Trata-se de algo entediante, nefasto e grosseiro, além de naturalmente traumático para qualquer jovem. Mata-se a literatura real e apresenta-se aos pobres alunos uma múmia enfaixada por datas, convenções discutíveis e metodologias dolorosas. Nada de um barthesiano prazer do texto, nada de deleite, nada de estimulante, nada de aproximação com a vida espiritual e intelectual. Serve-se aos alunos um prato indigesto, capaz de desafiar qualquer dosagem de omeprazol. É um mal sem antídoto como se inventado pelos piores inimigos da Literatura. Na França, Daniel Pénac, há muitos anos, em seu livro Como um Romance já havia chamado a atenção para o assunto. No Brasil, insiste-se numa didática perversa. A Literatura ou é uma eleição ou não é nada. Logo, na escola deveria ser uma matéria eletiva, de livre escolha do aluno. No entanto, o que se observa é a contradição de tornar a liberdade, que é um outro nome da Literatura, em um cárcere sombrio, cheio de detalhes idiotas. Não será nunca de tal forma que se preservará a cultura literária brasileira e a cultura em geral. É claro que os alunos se recusam a ser idiotas, mas, por outro lado, ficam sem alternativas e sem um despertar amigável para o universo literário em geral. O resultado é ressentimento. Fora, pois, com essa literatura dos diabos, obrigatória como um cinto de segurança, além de insossa e indesejada.
Escrito por Paulo Gustavo às 10h42
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CABELOS BRANCOS Emblemas de sabedoria, senilidade ou velha safadeza, os cabelos brancos podem estar com os dias contados. Pelo menos, no momento, para um grupo de cientistas que diz ter descoberto a causa do embranquecimento. A verdade é que os cabelos brancos são, para dizer o mínimo, traiçoeiros. Enganam muito, como se dessem uma aura de dignidade a quem nunca a teve. Passam, muitas vezes, uma falsa respeitabilidade, parecem valer por si próprios como sugere a canção brasileira que diz algo como “Respeite ao menos os meus cabelos brancos”! De minha parte, não respeito cabelos brancos que tragam a caspa da canalhice e do mau caratismo. Tais cabelos brancos são como uma pitoresca peruca: um hábito que não faz o monge. Esse tipo de gente podia pelo menos manter os cabelos aparados.
Escrito por Paulo Gustavo às 10h13
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DEIXEM A DILMA VIAJAR! (Comentários de Frei José de Lorena, da Ordem dos Sacanas Menores) “Paulo, querem ‘interditar’ a Dilma, não deixando a ministra-mãe-do-PAC viajar pelo país. Sugiro ao Lula transferi-la para o Ministério do Turismo, onde ela pode ‘relaxar e gozar’ e viajar. A Dilma quer asas, isso é tudo. A Dilma quer um gabinete móvel. A Dilma é muito absorvente para ficar encerrada em quatro paredes palacianas como uma máscara de enfeite! Aliás, a Dilma não é só uma máscara bonitinha, como dizem as más línguas!... A Dilma não é cheia de dedos, mas sabe segurar a coisa! A Dilma tem lá a sua beleza plástica, como convém a esse mundo machista de nossa política. Ir e vir é um direito constitucional, sobretudo quando se tira o sapato alto. Além do mais, a Dilma não tem TPM para ficar amuada e de cara feia. A Dilma hoje é outra pessoa. O resto é terrorismo!”
Escrito por Paulo Gustavo às 11h33
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BUCÓLICA Hoje, às 7 da manhã, uma vaca, aliás bem nutrida, e dois bezerrinhos passeavam tranquilamente pelo meio da principal avenida de Casa Forte, a 17 Agosto, no Recife. Era uma cena do passado superposta à do presente. A cena “indiana” e bucólica trazia mais um emblema do nosso tempo: a vaca e seus filhotes andavam mais rápido que os automóveis em fila que iam em direção ao centro. Por certo, não iam para o brejo. Com uma olímpica indiferença, os bovinos avançavam pisando as terras do antigo engenho que originou o bairro. Extraviados, éramos nós, motoristas, burros de carga ou simplesmente burros, secos de lei e da pacífica sabedoria dos animais.
Escrito por Paulo Gustavo às 10h52
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SALIVA
BACTÉRIAS SE PARECEM AO REDOR DO MUNDO
Um estudo conduzido por pesquisadores alemães com 120 pessoas dos cinco continentes mostrou que as bactérias encontradas na saliva não variam muito no mundo. Eles observaram que as variações, quando existiam, não tinham relação com a posição geográfica. Segundo um dos pesquisadores, estudar bactérias permite compreender melhor a população humana do que estudar somente o DNA.
Folha de S. Paulo, 02/03/2009 A notícia mereceria esta epígrafe de Augusto dos Anjos: "Com um pouco de saliva cotidiana Mostro meu nojo à natureza humana."
Escrito por Paulo Gustavo às 10h32
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