SENADO: A HIPERTROFIA DOS CARGOS Consta do noticiário do dia a fecundidade do Senado Federal em criar diretorias. Muitas delas, aliás, apenas com o próprio diretor de si mesmo. Diretor solitário, coitado, insulado pela burocracia e pela generosidade de seus pares! Que dirige Vossa Excelência, probo amigo? A mim mesmo! E é fácil? Olhe, gestão de pessoa (sic) nunca é fácil e hoje em dia isso é fundamental. Ah, bom! E a remuneração compensa? Não tenho do que reclamar e digo mais: se não fôssemos nós, diretores, isso aqui não funcionava, ficava muito burocratizado (!), sem agilidade nas tramitações, nos processos, nas demandas...o senhor me entende, não é? Entendo perfeitamente a indispensável função de Vossa Excelência e essa — como dizer? — preocupação acima de tudo ética com o serviço público, não é à toa a discrição de nossos senadores.
Escrito por Paulo Gustavo às 09h42
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O Google nos corrige! A conhecida frase do Google “Você quis dizer...” lembra quase humanamente que errar é de fato humano e que nos movemos num mar de equívocos. Sentimos a frase como se o Google pensasse e lesse nossas intenções. Sentimos como se o Google estivesse sempre certo e infenso ao erro. Ele ganha a nossa confiança já com essa advertência que nos dá uma esperança ou milhões de esperanças. Sem embargo de o vermos como o que é — fantástico e prático, maravilhoso e mágico (e tão merecedor de adjetivos do mesmo naipe!) —, não devemos esquecer a sua não menos sublime ignorância. Pelo menos, não deveríamos nos deixar siderar por essa frase tão humilde quanto arrogante, tão certa quanto equívoca. São apenas palavras que marcam um caminho possível e que com seu brilho escondem os caminhos ocultos e férteis de nossos próprios erros. É provável que no futuro o Google nos responda com outras frases e que converse ainda mais com nossas intenções. Só não devemos abrir mão do nosso próprio labirinto.
Escrito por Paulo Gustavo às 08h39
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ALÉM DOS MUROS DA ESCOLA Os desafios da escola, como nos mostra o filme Entre os muros da escola, seriam os mesmos da sociedade: a violência endêmica, os conflitos do multiculturalismo (ou melhor, do interculturalismo!), o apagamento da autoridade constituída, os preconceitos mútuos entre as diferentes “tribos”, a natural rebeldia da adolescência, a transição de paradigmas, o questionamento do próprio modelo de educação. Se o mundo tornou-se plano do ponto de vista econômico-financeiro, como querem alguns, tornou-se também um plano inclinado pelos novos problemas que traz em seu bojo. Por outro lado, não custa lembrar como a pedagogia é, por essência, conservadora, e isso por mais que tente ser libertária. Já houve diversas experiências que tentaram o contrário, mas que redundaram em fracasso e frustração. Não é fácil descobrirem-se as “pedras” nesse caminho líquido e escorregadio. Tanto o filme como a realidade ainda não trazem respostas às convivências complexas de um mundo marcado por súbitas aproximações culturais. A tantas mudanças só poderão corresponder um igual número de reações – pelo jeito, é tudo o que se pressente saber. O resto é com o tempo e sua química quase sempre imprevisível.
Escrito por Paulo Gustavo às 08h44
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