QUE RAIO DE PAÍS É ESTE? O Brasil é sabidamente o país campeão em queda de raios. Noutras palavras, um país eletrizante e eletrizado. Mas, infelizmente, como nada é perfeito, os raios não caem nos lugares em que deveriam cair. O leitor ou a leitora que me honra com sua leitura já está imaginando aonde quero chegar, embora não tão rápido como um raio. Todos nós, como o feroz Júpiter dos gregos, gostaríamos de ter raios à mão para fulminar problemas e vilões, sobretudo aqueles que no olimpo dos poderes públicos brincam de ser deuses, zombando da massa amorfa e temente a Deus e aos impostos.
Escrito por Paulo Gustavo às 10h05
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REUNIÃO DE TRABALHO Para Antonio Montenegro Enquanto a burocracia Planta vazias sementes, Recolhe riscos o artista, Compondo, secretamente, Um olhar que descortina Um campo sozinho e verde. E nesse campo passeiam, Com passos livres e limpos, Não só o artista, sua veia, Mas uma mulher de vinho — Uva esquiva à agricultura, Doce aos olhos, melancólica, Tão bela, tão eva e única Que se despe como as rosas. No entanto, enquanto isso A burocracia cose Seu implacável vestido, Tão duro, de estranho corte... Paulo Gustavo Recife, 1º de abril de 2009
Escrito por Paulo Gustavo às 12h29
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MARCUSCHI, LINGUISTA MAIOR A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) — num gesto notável, por meio de sua Editora Universitária, sob a direção da Profa. Dra. Gilda Lins, e do Programa de Pós-Graduação em Letras — lançou, no dia 19 deste mês, a Coleção Luiz Antonio Marcuschi. Composta de três livros e um DVD, é uma homenagem ao linguista que, desde a década de 80 do século passado, tornou-se, não só em Pernambuco, mas no Brasil, um dos maiores especialistas em Linguistíca de Texto. Gaúcho de nascimento, mas com largos e bem vividos anos em Pernambuco, Marcuschi é um daqueles mestres de quem o poeta Rainer Maria Rilke poderia ter escrito: “Eis o homem que sempre aparece quando um tempo que se sente acabar quer relembrar mais uma vez o que vale”. Nesse sentido, é mais que emblemática a reverência que vem receber de seus pares e de seus inúmeros alunos tanto de Pernambuco quanto deste imenso sertão (sic) chamado Brasil, cujas distâncias e cujos problemas o professor Marcuschi sempre soube vencer para estar junto a seus orientandos e para honrar o conhecimento científico. Em Marcuschi, a vocação e o trabalho de homem de ciência convergiram numa vigorosa reflexão, a qual, em pouco tempo, o colocou entre os melhores linguistas brasileiros. Inquieto por índole e senhor de um invejável senso lógico e pragmático e, além disso, com uma capacidade empreendedora ainda tão pouco vista no mundo acadêmico, Marcuschi, a quem nunca faltaram fumos da Germânia (não se esqueça de que foi lá que se doutorou), logo veio associar-se, como o pioneiro de um novo mundo, ao poeta César Leal no soerguimento do então nascente Mestrado de Letras e Linguística da UFPE. Com esse mesmo espírito dinâmico e criador, dirigiu, por dois anos, a Editora Massangana, da Fundação Joaquim Nabuco, à qual imprimiu eficiência e modernidade, sem falar nas relevantes obras que pôde publicar. Não foi, àquela altura, apenas um gestor, mas um líder presente em todas as etapas da produção editorial, chegando mesmo, algumas vezes, ao trabalho braçal, para espanto, honra e inusual estímulo de colegas mais afeitos ao tão brasileiro desdém por esse tipo de ocupação. Tive, nessa época e a seu convite, o privilégio de assessorá-lo, convivendo com sua claridade, com sua lúcida ironia, com sua visão sub especie eternitatis, tão rara num mundo dos mais fáceis e fúteis imediatismos. A presença de Marcuschi na UFPE — de uma generosidade sem o falso verniz da convencional e quase sempre equivocada generosidade brasileira — sempre soube voltar-se para o mérito intelectual, para os fins da ciência que abraçou, para a ousadia do pensar. Mesmo “inativo” (como quer o jargão governamental), é mais ativo do que tantos que fazem da docência uma excrescente extensão da mais danosa burocracia. Linguista maior, é um exemplo para seus pares, seus alunos e admiradores. Então, admirêmo-lo com todas as palavras da Esperança.
Escrito por Paulo Gustavo às 07h44
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