O COELHINHO DA PÁSCOA O coelhinho da Páscoa é como todo coelho — esperto. Por isso fabrica chocolates Para o nosso calvário. Não se entoca, é midiático, Sorri, diz disparates, É um artista e fala sério, Tem liturgias. Não morre, mas ressuscita A cada ano Para a nossa orgia. É sua paixão. Será a nossa — ou não? Do heterônimo Pascal Pascoal, que só escreve nas Semanas Santas. FELIZ PÁSCOA!
Escrito por Paulo Gustavo às 13h15
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O FIM DO MUNDO Para muitos, a Itália é o mais belo país da Europa. A Itália, escusado dizer, é Roma, o Renascimento, a cidade de Veneza, em cujo Grande Canal Jules Michelet enxergou a mais encantadora rua do velho continente... A Itália é a arte cercada pela arte do mar, mas também é o lago de Garda cercado pelas paisagens do Vêneto. Quase ilha, é o continente de gênios da pintura, o continente da primeira universidade do mundo — a de Bolonha. Quando a Itália treme, como agora, em tenebrosos terremotos, é que sentimos mais agudamente a impotência humana. E a Itália sempre treme, como se um demônio invejoso brincasse com os frágeis cristais construídos pelo gênio humano. Em qualquer lugar do mundo, um terremoto é uma tragédia; na Itália, é uma tragédia ainda maior, como se testemunhássemos o prenúncio do fim do mundo, da história, da arte e de tudo o que de belo o ser humano é capaz.
Escrito por Paulo Gustavo às 09h13
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PARCERIA PARA A SAÚDE O ministro da Saúde, José Temporão, lançou ontem o Plano Nacional de Atividade Física. Não conheço detalhes do Plano, mas a idéia que o preside é naturalmente boa. O brasileiro não se mexe fisicamente, apenas 16,4% da população faz exercícios regularmente. O resto é formada de sedentários. A repercussão dessa postura está diretamente ligada a doenças crônicas que infernizam o brasileiro e, portanto, é uma questão de saúde pública. Noutras palavras, é prejuízo no bolso do Governo. Repito que não sei detalhes do Plano, mas algo dessa grandeza de valores requer uma publicidade maciça em todos os meios de comunicação. Num país com tanta gente desinformada, as pessoas não ligam “o nome” “à pessoa”, como diz a piada. Nessa parceria, Governo e povo, todos sairão ganhando.
Escrito por Paulo Gustavo às 10h36
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ENTRE TORRES E MUROS Para Lúcia Leitão Entre torres, entre muros, Alongo, como um ginasta A quem faltasse os músculos, Minha anticaminhada. No verde esquivo me incluo Na urbana hostilidade: O sol me parece escuro E as ruas, rápido enfarte. Do que vejo, não me ocupo, A não ser do próprio medo — Cão vadio, livre e sujo Mas aos meus ossos já preso! Entre seus dentes tão rubros Entrevejo a pele urbana Entreabrir-se como um sulco. E o que morde? A esperança!
Escrito por Paulo Gustavo às 08h31
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