POETA PRESTIGIA COLEGAS DA GERAÇÃO 80 Um dos melhores poetas da nova literatura brasileira, alagoano radicado no Recife, Cícero Melo resolveu prestigiar a Geração 80 de escritores e criou o fotolog www.geracao80.nafoto.net. Confiram. Cicero Melo
Cícero Melo do Nascimento nasceu em União dos Palmares/Alagoas em 1952. Radicado no Recife desde 1980. Participou ativamente da vida cultural do Recife na década de 80 quando da existência do Movimento de Escritores Independentes de Pernambuco (MEIPE). Grande conhecedor de literatura contribuiu na década de 80 para formar uma fortuna crítica sobre a produção poética dos seus contemporâneos. Seus poemas encontram-se publicados em diversos fanzines e jornais do Brasil e exterior. As versões virtuais dos seus dois primeiros livros podem ser acessadas no site www.interpoetica.com
Publicações:
O verbo sitiado – Edições Bagaço, 1986
Poemas da escuridão – Edições Bagaço, 2001
Escrito por Paulo Gustavo às 11h00
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
CASA-GRANDE & SENZALA Em Pernambuco é assim. Espíritos de antigos senhores e senhoras de engenho de vez em quando, como exus, voltam a encarnar. É o que explica que uma síndica da praia de Boa Viagem, no Recife, tenha esta semana puxado — literalmente — as orelhas de uma empregada doméstica. Imaginem! A elite que, aliás, aboliu castigos corporais para os próprios filhos, volta-se para as oprimidas domésticas... Com as orelhas ainda ardendo e em pé, a empregada prestou queixa à polícia. Oxalá os exus sejam exorcizados da casa-grande.
Escrito por Paulo Gustavo às 09h16
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
SE COMER O BICHO PEGA, SE NÃO COMER O BICHO COME Vovô viu a uva? Esqueça. Vai comer moranguinho? (Refiro-me à fruta mesmo) Prefira outra coisa. Além disso, não descasque abacaxi. Os tomates, use-os para qualquer protesto social ou político. Pimentão, nem pensar. Todos estão com altos índices de agrotóxicos. Quem avisa é a Anvisa. Os males — dizem, nas folhas, os atentos especialistas — só virão a longo prazo. Sim, e quem tem pressa de desgraça? Enfim, estamos, como a madrasta de Branca de Neve, com a cesta cheia de maças envenenadas. Outros piedosos especialistas falam que não devemos parar de ingerir tais alimentos, pois os benefícios seriam maiores que os malefícios. Noutras palavras, encaremos, com delícia, uma boa salada — seja de fruta ou de verdura. O câncer sabe que quem tem prazo não tem pressa...
Escrito por Paulo Gustavo às 08h28
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
A SALA DE GIL VICENTE:A CASA DO ARTISTA DE PORTAS ABERTAS Um dos maiores nomes da arte contemporânea brasileira, o pintor pernambucano Gil Vicente, a quem acompanhamos e admiramos de longa data, inaugura hoje, às 19 h, em Boa Viagem, a Sala Recife, que, segundo ele, não tem a pretensão de ser exatamente uma galeria e destina-se a revelar ou resgatar artistas em pequenas exposições de desenho e pintura. O novo espaço fica na própria residência-ateliê do artista As visitas serão gratuitas e sempre às quartas-feiras. Longa vida e muito sucesso à iniciativa! Endereço: Rua Agenor Lopes, 100, Boa Viagem, Recife, Pernambuco.
Escrito por Paulo Gustavo às 11h48
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
O USO DA MORTE EM PERNAMBUCO Riobaldo, o mais famoso personagem de Guimarães Rosa, diz à certa altura do Grande Sertão: Veredas que chegará um tempo em que “não vai se usar mais matar gente”. Por enquanto, nada desmente Riobaldo. Em Pernambuco, por exemplo, o uso da morte parece cada dia mais frequente. O Estado usa a morte, sob a forma de assassinato, para tirar a vida de mulheres e homossexuais. Mata-se à farta. O Estado infarta-se de assassinatos em meio ao silêncio da sociedade e das autoridades. Vulneráveis pelos mais diversos motivos, mulheres e homossexuais continuam a própria exclusão social sendo excluídos da própria vida. Enfim, pelo recente aumento dessa violência, bem se vê que está longe de Pernambuco o tempo sonhado por Riobaldo. Entre nós, pernambucanos, dói dizê-lo, se usa e se abusa da morte “matada”. “Aceitam-se teorias”, como também diria Guimarães Rosa, e poderíamos dizer: exigem-se soluções.
Escrito por Paulo Gustavo às 10h05
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
A CRUELDADE DEVE APARECER SOB UM BELO NOME
A crueldade deve aparecer sob um belo nome. Uns escolhem a palavra “vida”; outros, “justiça”; outros, “liberdade”, Mal escondendo a sede vermelha de um sangue dourado. Que ninguém duvide, nesta manhã ou noutra, pouco importa, Que a crueldade, como o sol, nasce todos os dias E nos cumprimenta com belas palavras. Assim, é fácil ser enganado, e todos o somos. Por isso, emprestamos a tais palavras os nossos sonhos Nesta manhã ou noutra, pouco importa, Como crianças, como monstros, como ninguém.
Escrito por Paulo Gustavo às 08h31
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
METENDO A COLHER NA SOPA DE LETRAS Até onde estou informado, os cursos de Letras viraram uma sopa ao gosto corporativo de docentes. Se antes já não eram grande coisa, agora o caldo entornou. Sem uma disciplina para as disciplinas, cada mestre atira para o seu lado e puxa a brasa pra sua sardinha. Há, como sempre, as honrosas e oportunas exceções, mas o resto é silêncio ou simplesmente vaidosa tagarelice de docentes que apenas externam suas preferências literárias. É tudo muito à vontade, e o cara passa pelo curso como Pilatos passa pelo Credo. Com a vesga influência dos chamados Estudos Culturais, a cegueira é praticamente total quando se trata de ir à raiz da coisa, à razão de ser da literatura artística. Por baixo, a Teoria da Literatura, com o que tem de sistematização secular e criação intelectual na civilização ocidental, é apenas um súcubo e pálido espectro. Assim se desencaminha a humanidade.
Escrito por Paulo Gustavo às 11h56
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
GUERRA AO TABACO “Paulo querido, a lei que o Serra lançou em São Paulo é uma declaração de guerra ao tabaco. Trata-se de uma lei irrespirável, fundamentalista e anticonstitucional. É melhor logo proibir a venda do tabaco. Quanto a mim, tenho uma tara pelo tabaco e não abro mão do tabaco. O tabaco faz mal? E o que não faz mal neste mundo? Nada melhor do que um dia atrás do outro com o tabaco no meio ou com a gente no meio do tabaco. Penso que o tabaco só faz bem. O tabaco é um dos raros prazeres de um pobre coitado. Sem tabaco, o cara fica nervoso, descompensado e, como se diz aí no Nordeste, tabacudo! Sem tabaco, não haveria, por exemplo, A Tabacaria, um dos maiores poemas do século 20 do portuga Fernando Pessoa. Enfim, nós, viciados no tabaco, com essa lei, que é mais uma cortina de fumaça, ficamos todos com cara de tabaco leso, lesados no nosso direito privado de curtir qualquer tabaco. Abraço de Frei José de Lorena, da Ordem dos Sacanas Menores”
Escrito por Paulo Gustavo às 11h32
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
 |
| [ ver mensagens anteriores ] |