O PAPA SEM ALMA Imagino que um papa deve ter alma, de preferência alma de papa. Até onde enxergo, falta alma ao papa Bento 16. Nem a idade nem os cabelos brancos ajudam a compor sua figura papal. É insípido como vidro. Apesar disso, teve a prudência de não se transformar em João Paulo 3º, pois nada tem de João e nada tem de Paulo e, muito menos, do seu antecessor. É um desses alemães que colocam a ordem acima de qualquer coisa: uma mente voltada para abstrações e sistemas. Seu habitual gesto com as mãos diz a fiéis e não fiéis: “Fiquem aí que eu fico aqui, não me misturo com vocês”. Dirão alguns: “É porque é um conservador”. Sim, mas há conservadores com alma, com energia, com entusiasmo. O fato é que mesmo com o passar do tempo não adquiriu alma de papa nem traço de papa nem gesto de papa. Talvez, não sei, seja até ruim de papo... Parece estar onde poderia não estar, é pobre de espírito, embora rico de teologia, da mesma forma que muitos professores universitários são ricos de teorias e mendigos de imaginação. Aceitou ser papa talvez por medo, talvez pela vaidade, talvez para sentir-se mais perto de Deus. Dominus vobiscum.
Escrito por Paulo Gustavo às 08h33
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O LIXO É UM LUXO? Os novos gestores da Prefeitura do Recife, à frente o burgomestre do PT João da Costa, estão transformando a cidade na capital do lixo. A coleta hoje é só uma palavra lembrada pela saudade. Em termos de lixo, nós recifenses não temos do que reclamar! Provavelmente, para os novos gestores o lixo é um luxo. Certamente, há coisas mais importantes a serem resolvidas pelos gabinetes da edilidade. O lixo pode ficar para amanhã, depois de amanhã, para a próxima semana, e cada cidadão que o acondicione em casa como lhe convier. Estará o prefeito se lixando para o lixo? Também ele o coleciona em casa? Imagino que seja, da parte da Prefeitura, uma nova contribuição aos já fedidos ares da cidade, tão propícios ao turismo e à saúde da população. Enfim, o lixo é uma riqueza e eu, sempre tão tolo, não sabia!
Escrito por Paulo Gustavo às 08h59
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ANIVERSÁRIO DO MARECHAL RONDON Se vivo estivesse, o Marechal Cândido Rondon teria completado no dia 5 deste maio 144 anos. A ele devemos, os brasileiros, um exemplo cívico de coragem e de defesa de várias causas nacionais: a integração da Amazônia, o desbravamento da selva, o estudo de nossa geografia, a pacificação e a defesa dos índios. Foi o pioneiro, com sua célebre Comissão Rondon, de um mundo novo e marginal, cujos mistérios, com a sensibilidade de um poeta e a mente de um iluminista, procurou desvendar. Franzino, baixinho, descendente próximo de índios, nascido no interior de Mato Grosso, foi um misto de sacerdote, poeta e soldado, sem deixar de ser sobretudo um cientista movido por um humanismo radical. Não fosse o Brasil um país periférico, sobretudo em seu tempo, teria ganho o Nobel da Paz, para o qual foi indicado por vários personalidades internacionais. Fez a guerra do bem, combateu o bom combate, experimentando, longe dos gabinetes palacianos, a “selva escura” e dantesca de uma Amazônia distante e perdida dos mapas e da civilização. Mal compreendido pela visão estreita dos medíocres e invejosos, entrou para a História sem precisar dos ”ferros” dos Florianos de sempre e sem a violência cruel dos ditadores de ontem e de hoje. Sua vida é um emblema para a esperança de que outro Brasil é possível.
Escrito por Paulo Gustavo às 12h12
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OS INIMIGOS DA LEITURA
Os inimigos da leitura — bem entendido, da leitura de livros — são mais sutis do que os cupins e as traças. Não trazem na testa qualquer sinal que os identifique. Exercem sua missão insidiosamente. Preferem a meia-luz, na qual podem melhor dissimular suas intenções secretas. Preferem a letra miúda das bulas de remédio. Preferem esconder lombadas de livros. Deliciam-se com grafismos que ocultem ou deixem em segundo plano as letras de títulos e de autores. Deixam os livros ao acaso, pois assim suas vítimas tornam-se mais vulneráveis aos perigos. Usam os livros como suportes, dentre outras destinações improvisadas que comprometem a função de um livro. Alguns outros falam alto, gritam, ligam o som, buzinam, soltam cachorros... Ou simplesmente trancam os livros em gavetas ou estantes que são prisões envidraçadas. Enfim, recorrem a mil artifícios para inibir a leitura alheia ou evitá-la. Para essa gente, os livros são seres incômodos, são criaturas que causam ciúmes mórbidos e invejas terríveis. O melhor é ”intrigar” os livros com seus possíveis leitores, silenciando-os de vários modos, fechando suas páginas, apagando sua memória. Não há como não dizer: o Brasil está cheio desses inimigos. Estão por toda parte. Estão por cima. Mas os livros, como seres humanos, também sabem se vingar!
Escrito por Paulo Gustavo às 09h59
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