COISAS QUE SE QUEBRAM Coisas que se quebram Sem febre sem dor A hora no relógio a torneira O amor o braço o osso no jazigo da família A fechadura que abre para o sonho A onda a grande onda que se despede do mar. Coisas que se quebram O teu dente que morde o desgosto As cordas os motores que param Na madrugada quebrada pelo sol A mala que fez a última viagem O fêmur que te fez caminhar. Coisas que se quebram Sem consolo sem desdém pelo que somos Sem o sal da névoa que somos Sem as mães gritarem Em busca do filho morto Sem sujeito oculto, sem reticências. Coisas que se quebram Tão nuas no seu pequeno féretro Límpidas no invisível Coisas que dormirão sem respirar Na ternura do inútil, no brusco leito De uma nova metáfora, Nas conchas marinhas Que os deuses espalham — Tão belas que até as esquecemos. Paulo GustavoPoema recentemente publicado na revista Poesia Sempre da Fundação Biblioteca Nacional
Escrito por Paulo Gustavo às 10h13
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O SUPREMO NÃO ACABOU COM O JORNALISMO!
Embora com a infeliz imagem “culinária” do presidente do STF, acabou-se a reserva de mercado para os jornalistas. Mudou o mundo, mas não queria mudar um punhado de jornalistas brasileiros. Isso não acaba com o jornalismo, como alguns querem fazer crer. Não é o fim do mundo, é o começo de outro mais em sintonia com a realidade, pois é óbvio que as novas tecnologias estão mudando os velhos paradigmas do jornalismo. O que o mercado deseja é qualidade, boas práticas e, no caso do jornalismo, isso nem sempre se aprende na escola. Competência não se transmite pelo modo convencional das aulas universitárias. Por outro lado, é óbvio que uma boa formação técnica e acadêmica contribui para a formação profissional. O aquário rompeu-se e quem tem competência continuará nadando.
Escrito por Paulo Gustavo às 11h47
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SARNEY E LULA: SINTONIA DE ANJO PARA ANJO
Sarney está sob ataque. Lula o defende e ataca o que chama de “denuncismo”. Muitas voltas dá o mundo! Lula produz mágicas com as palavras. “Denuncismo” é uma palavra forte e ofuscante que agora defende Sarney e defende o Senado. Sarney como Lula, há alguns poucos anos, não sabia de nada. Sarney, agora, na visão de Lula (ou melhor na que ele quer passar), é uma espécie de anjo que paira, que deve estar à parte, imune aos “atos secretos” e ao comum dos mortais senadores. Lula aprendeu com Sarney a “liturgia do cargo”, afinal, ora, afinal trata-se de um ex-presidente e de alguém que “tem uma história”! Lula pensa no presente e no futuro, mas sobretudo no futuro, quando também há de virar um anjo...
Escrito por Paulo Gustavo às 11h31
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SERRA E O CIGARRO José Serra é um paladino do antitabagismo. É um direito seu. Daí até a radicalização contra o cigarro (é óbvio que o cigarro é um caso de saúde pública!) deve haver mais de duas ou várias tragadas! Ninguém baforou junto a Serra que sua batalha deveria ser educativa e não repressiva, já que o radicalismo da repressão fere garantias constitucionais. A batalha tem que ser ganha na mente do fumante, não no excesso de medidas que, para cumprir a lei, chegam a ser pitorescas e de mau gosto. Como sabe qualquer neurologista bem informado, a nicotina é das drogas a que mais causa dependência. O dependente é vítima. Na maioria dos casos, não consegue se livrar do cigarro jogando um maço no lixo ou uma guimba no mato, precisa de ajuda. Falta mais conversa e convencimento, diálogo e persuasão, aconselhamento e atenção aos malefícios. Na verdade, o fumante consciente (existe ainda algum inconsciente?) joga com o risco, flerta com a morte e com a doença, joga com a probabilidade, ou simplesmente se suicida aos poucos, conforme a psicologia de cada um. Na verdade, medidas como a de Serra só favorecem os espíritos prontos a exercerem seu autoritarismo e seu arbítrio. À falta de outras crenças, passam a acreditar no terrorismo disseminado de que o cigarro é um mal absoluto. É uma simplificação tremenda! O tabagismo está há séculos na história da humanidade, e o mal de fumar nunca excluiu o prazer de fumar. Que a lei seja apreciada com moderação... Dessa forma, Serra acaba perdendo os votos dos fumantes — virarão fumaça!...
Escrito por Paulo Gustavo às 10h37
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LULA E SUA COLUNA NOS JORNAIS IMPRESSOS Os jornais de hoje dizem que Lula vai ter uma coluna no jornal chamada O Presidente Responde. Ocorre que Lula, como certo personagem de Guimarães Rosa, só responde ao que ninguém perguntou. Esse, de par com o trunfo da oralidade, segundo, penso, é o seu diferencial de comunicação. Lula pertence ao grupo humano dos tagarelas e, por isso, responde ao que não se pergunta. A coluna a ser lançada em julho é decerto uma redundância, porém, mais que isso, um modo de Lula estar presente na mídia impressa, dessa vez não na base dos seus improvisos antológicos, mas de forma escrita, linear e mais “racional”. Com isso, provavelmente atingirá mais uma fatia do público. A coisa terá efeito eleitoral, se é que Lula precisa disso. Talvez precise: antes pecar por excesso do que por falta. No mais Lula, como já disse há muito tempo neste blog, move-se com galhardia e desenvoltura no mar da oralidade — este é o mar do país real, de carne e osso, que está nas ruas. A cultura oral é inata ao presidente. Os letrados que sejam menos esnobes e “metidos”, que deixem de lado seu racionalismo exacerbado. Que as oposições,se quiserem ganhar algo, olhem para Lula: é uma aula! Já para a sua candidata, descontado o apoio presidencial, vejo dificuldades pelo caminho...
Escrito por Paulo Gustavo às 08h42
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