ÂNGELO MONTEIRO, O TIGRE No site produzido pelo poeta Cícero Melo — Geração 80 na foto, no UOL —, deparo-me com uma sintética e bela homenagem ao poeta e ensaísta Ângelo Monteiro. No lugar da foto, um imponente tigre. Tem razão o nosso bom Cícero, Ângelo é o nosso "tigre". Um "tigre" flamejante e inquieto. Um tigre, como sugere Cícero, improvável, do qual se duvida que existe. E quem conhece sabe que é assim. A propósito, uma amiga de minha família conhecia o “tigre” apenas em letra de forma. Admirava-o e nunca o vira pessoalmente. Imaginava-o alto e forte, ou seja, um “tigre”, com seu cortejo metafísico, lírico e ricamente simbólico. Eis que um dia — para seu espanto — depara-se com a figura pessoal do poeta, chaplinianamente carlítica, nordestinamente seca e aparentemente humilde. Era — pode-se dizer — o avesso do “tigre”, uma leda ironia da vida, uma sombra prestes a voar para os céus iluminados. E assim é o nosso amigo Ângelo — uma fera literária e artística, uma fortaleza móvel, viva e livre como suas metáforas. E quem deseja imaginá-lo num circo vira imediatamente um obtuso palhaço de cera. Ele proclamou o verde e tem o sol como medida, vive sem os pontos cardeais e seu coração sempre novo bate com o coração da terra. É um orgulho, Cícero, sermos amigos desse “tigre”, cuja inquietude só as chamas do eterno aplacarão.
Escrito por Paulo Gustavo às 11h53
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DE ONDE VÊM OS ATENTADOS À DEMOCRACIA Os latino-americanos, à direita e à esquerda, adoram soluções de força. Ora, venha de onde vier, qualquer solução de força atenta contra a democracia, sobretudo as frágeis democracias latino-americanas. Honduras se crispa, afasta um presidente que, ao que parece, autoritariamente, valendo-se do regime democrático, quis manipular a Constituição a seu favor, e logo surge outro “paladino da democracia”, Hugo Chávez, oferecendo a prontidão do exército venezuelano. O criptoditador não se cala nem fica quieto com sua idéia fixa de implantar o socialismo dito “bolivariano” no continente. Digo no continente porque há o socialismo insular representado por Cuba, aliás tão enfermo quanto o seu próprio ditador. Enfim, a América Latina pouco mudou, esquecida de Deus e do mundo, como um velho museu a abrigar sinistras pérolas de uma ideologia fadada ao eterno fracasso. Pérolas de um brilho fugaz e aterrador, capazes de sangrarem povos e países como todos viram no século recentemente passado.
Escrito por Paulo Gustavo às 10h56
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STJ NUMA SAIA JUSTA Leio no portal do UOL que do Unicef/ONU lançou nota em que critica o STJ pela liberação de dois acusados de pedofilia sob a alegação de que as menores já eram prostitutas. Ao que parece, o STJ valeu-se do popular “já que está dentro, deixa”! É provável que por uma filigrana jurídico-formal — tão do gosto dos nossos operadores do Direito — a prática de prostituição tenha se sobreposto aos aspectos etário e ético da questão. Vendo a coisa pelo ângulo da nota do Unicef não há como justificar tal decisão. Desse jeito, fica difícil abordar o mal pela raiz, afinal a prostituição infantil instala-se precocemente entre as meninas e adolescentes nacionais. Abre-se um precedente, fecha-se uma porta para a saída desse mal “invisível” que assola o País.
Escrito por Paulo Gustavo às 10h30
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