PIZZAS QUE DÃO PRA QUEM QUEREM! — Pedi uma pizza na Pizzaria Planalto. — A minha pedi na Pizzaria Senado. A do Senado tem a massa mais batida. — Rapaz, a pizza da Pizzaria Planalto é curta e grossa. — Feito a Dilma. — Exato. Não, não, prefiro mesmo a massa do Senado. Tem a Pizza CPI que é a melhor de todas. — Pois é. Parece que o Lula sabe disso e só encomenda lá. — Agora mesmo, estão lançando uma pizza nova: a Petropizza! — Ouvi falar. Ouvi também que vai ter muito pré-sal! — Prefiro menos sal e mais pimenta. — E quem disse que um tempero exclui o outro? — Já ouvisse falar na pizza “Tardes Molhadas”? — A criada pelo Agaciel? — Essa mesmo! Rapaz, uma delícia! Só vende em forma de brotinho. Dizem até que é afrodisíaca. Tem uma variante que é a KY, ideal para uma hora de aperto. — Rapaz, já tou de água na boca! — Tá vendo? Não é à toa que se chama “Tardes Molhadas”. Os pizzaiolos são muito bons!
Escrito por Paulo Gustavo às 19h51
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ESCREVER É UMA CHATICE? “Escrever é uma chatice”, disparou o nosso bom Chico Buarque na Flip, acrescentando que preferia ser leitor a ser escritor. A menos que se enquadre num contexto de ironia ou que deseje épater le bourgeois, a frase é infeliz para quem escreve ou seja escritor. É infeliz, sobretudo, pelo desapego que pretende apontar, pelo desestímulo que transmite, pelo contraste de ter sido pronunciada num encontro de escritores e de leitores, como é o caso da Flip anualmente realizada em Paraty, no Estado do Rio. A menos que Chico tenha se expressado mal, fica de fato a impressão de que escrever, para um escritor, é uma chatice. Pode ser trabalhoso, mas não chato. Não creio que o pai de Chico, Sérgio Buarque de Holanda, autor de livros clássicos sobre a sociedade brasileira, compartilhasse de tal visão. Se escrever fosse realmente chato, não teríamos tantos escritores... Jorge Luís Borges vislumbrava na escrita a própria felicidade ou infelicidade do escritor. Proust via na escrita uma atitude saudável e natural. Mesmo quando significa esforço, a escrita se sobrepõe a qualquer chatice — será antes prazer, triunfo sobre a desolação, alegria de criar e de compartilhar. Não se entende bem — talvez só num nível de profundidade psicanalítico — o que leva um escritor a castigar em público o seu próprio ofício. Medo defensivo da crítica? Autopunição? Chatices íntimas e incontroláveis? Demagogia e humildade? Pura retórica? Talvez Chico tenha querido dizer como Borges ao afirmar que se orgulhava de ser leitor, que se orgulhava das obras que lera, que outros se orgulhassem do que tinham escrito. É, talvez tenha sido isso. Mas tudo é possível num encontro de escritores e leitores, inclusive se abrir a boca e se dizerem batatadas. As batatadas florescem sobretudo quando há público, palco e holofotes, e além disso, como Proust viu muito bem, “uma certa ordem de banalidades vem inevitavelmente, como a hora ao relógio, à boca de certa pessoas inteligentes”.
Escrito por Paulo Gustavo às 00h47
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