OOLHARDACORUJA: 5 ANOS! O OOLHARDACORUJA completa cinco anos “sem tirar de dentro da Web”, como diria meu amigo Frei José de Lorena, da Ordem dos Sacanas Menores. Este blogueiro agradece — e muito! — a quantos têm acessado OOLHARDACORUJA tanto para apenas ler como para comentar, o que inclusive levou-o recentemente a ser indicado como “Blog Legal do UOL”. Como nota o leitor ou leitora que, para minha honra e satisfação, freqüenta este blog, não tenho compromisso com nenhuma temática e nenhum gênero ou credo em particular. Prefiro deixá-lo, como Macunaíma, “sem caráter”, e aberto aos estímulos do cotidiano ou da reflexão, sem excluir, é claro, aqui e ali, uma visão crítica e humorística. Muito obrigado! Paulo Gustavo
Escrito por Paulo Gustavo às 11h52
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NA CABEÇA! (Da série Diálogos Muito Rápidos) — O que os políticos têm na cabeça? — Atos secretos? — O que os burocratas têm na cabeça? — Expediente encerrado? — O que os curadores de arte têm na cabeça? — Desvio de função! — O que os jovens têm na cabeça? — Nunca percebi! — O que os jornalistas têm na cabeça? — Lacunas de informação? — O que os técnicos de informática têm na cabeça? — Sistema off line? — O que um militar tem na cabeça? — Tropas em choque? — O que um policial tem na cabeça? — Gatilhos mentais? — O que a candidata tem na cabeça? — Peruca!
Escrito por Paulo Gustavo às 09h02
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CANSEI! Em tese de doutorado para a Fiocruz, a pesquisadora Daniela Karina da Silva Ferreira traça um perfil das condições de saúde e de trabalho dos soldados da Polícia Militar de Pernambuco na cidade do Recife. O resultado não é nada animador. Muitos têm problema de visão (44,8%); outros, alto grau de ansiedade e de irritação (aproximadamente 33%), além de irritação (32,6%) e cansaço (56,3%). Além disso, 70% estão com excesso de peso. Enfim, como se pode deduzir, com a PM em tais condições e com a bandidagem solta e provavelmente mais saudável, fica muito difícil o enfrentamento da insegurança pública. Como diz o povo, “saco vazio não se põe de pé!”.
Escrito por Paulo Gustavo às 09h28
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O SERVIÇO IMPÚBLICO Com as exceções de sempre, o serviço público nacional deveria ser chamado de “impúblico”. Só o cafezinho funciona. Por sua vez, a palavra “funcionário” deixou de funcionar há muito tempo. Substituíram-na por “servidor” como se houvesse uma mágica no termo escolhido: sendo “servidor”, servirá melhor. Nada feito. Acrescentaram à nomenclatura um adjetivo: servidor “ativo”. Ativo? Como assim? É porque há os “inativos”, outrora chamados “aposentados”, termo melancólico que foi igualmente aposentado. Ah, bom, está esclarecido. Mas, no caso, os ativos não serão passivos? Passivos, como assim? Parece que só fazem receber o salário: são talvez agentes da passiva. Bom, já estamos em meio a uma movediça gramática. Faz sentido: muitos são sujeitos ocultos. Onde estão? Não vieram trabalhar? Mandaram um atestado. Médico? Mais ou menos médico. Sendo passivos, os vírus os atacam mais, adoecem, ficam acamados. Por que “mais ou menos”? A doença no caso não é tão grave. Nem o médico, convenhamos. E quando voltam? Quando voltam passam a cometer “atos secretos”. Secretos, como assim? Ora, o nome já diz e seria uma indiscrição do público querer saber. Claro, uma falta de cortesia. Pode-se também dizer atos não feitos às claras. Noturnos? Não necessariamente. Sexuais? Isso não é da nossa conta nesse jogo de ativos e passivos, além do mais são tão gratificantes como qualquer gratificação no contracheque. Enfim, tudo são expedientes. E antiguidade é posto e manda quem pode e obedece quem tem juízo. Mas afinal quem manda mesmo? O substituto, ora, que está na portaria. Mas ele está no momento? Acabou de sair, talvez o senhor ainda o encontre na portaria. Mas seu prazo expirou e o senhor faz muitas perguntas, hein, além disso o expediente hoje termina mais cedo. Mais uma última coisa: amanhã não virei trabalhar, estarei de licença, depois emendo com a aposentadoria.
Escrito por Paulo Gustavo às 12h02
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CHÁVEZ NÃO SE CALA, CALA OS OUTROS O criptoditador da Venezuela a cada dia que passa assenta mais uma pedra na construção do seu “socialismo bolivariano”. Além da mídia, quer agora amordaçar o sistema educacional, direcionando-o para uma ideologia única, tolhendo a liberdade em nome dos seus propósitos messiânicos. Não se sabe aonde poderá chegar sua terraplanagem política, sufocando o contraditório e as opiniões divergentes. Repete-se anacronicamente o mesmo “filme” a que se expuseram, catastroficamente, diversas nações. Que o povo da Venezuela abra os olhos e não se cale diante de tão funestas ilusões. Hitler e Stalin também um dia foram lindos bebês. Chávez então deve ter sido muito fofinho.
Escrito por Paulo Gustavo às 11h18
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BURLE MARX LEMBRADO EM PERNAMBUCO O centenário do arquiteto e paisagista Burle Marx (transcorrido no último dia 4) está sendo muito bem lembrado no Recife, tendo à frente o escritor, jornalista e fotógrafo Marcus Prado, membro do Conselho Estadual de Cultura. O Governo do Estado vai tombar sete jardins projetados pelo bom Marx na cidade do Recife. A saber: Praça de Casa Forte, Praça do Derby, Praça Euclides da Cunha (bairro da Madalena), Praça da República, Praça Faria Neves (bairro de Dois Irmãos), Praça Salgado Filho (próximo ao Aeroporto Internacional dos Guararapes), além dos jardins internos do Palácio do Campo das Princesas (sede do Governo do Estado).
Escrito por Paulo Gustavo às 12h12
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O RECIFE QUE SE VAI: APELO AOS FOTÓGRAFOS Há um Recife que nos dias atuais nos diz adeus para sempre. Quarteirões inteiros estão sendo demolidos para darem lugar a prédios modernos e sedutores. Velhas e belas casas vão ao chão, in pulvis reverteris. Com elas vão — passe o lugar-comum — toda uma época e uma forma de habitar. Em breve, não serão mais que palavras e lembranças, talvez fotos que deliciarão o espanto dos pósteros. Digo “talvez” e apelo aos fotógrafos — amadores e profissionais — que documentem ruas e casas. Por ora, caladas, essas casas esperam humildemente a morte que, ao contrário da dos homens, não pode contar com a esperança da ressurreição. Morrerão para sempre. Não se trata de saudosismo. Trata-se de documentação. Se é inevitável (!), que pelo menos se documente essas criaturas marcadas para morrer. A propósito, em 2007, como aliás registrado por este blog, o arquiteto pernambucano Luiz Amorim publicou o livro Obituário Pernambucano, em que chama a atenção para os marcos já destruídos de nossa arquitetura, muitos deles memoráveis exemplares da arquitetura moderna em terras pernambucanas — tão movediças...
Escrito por Paulo Gustavo às 12h15
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PLACAS, CULTURA ORAL E PROVINCIANISMO No Recife, as placas de trânsito que orientam sobre bairros e logradouros quase nunca estão corretas. Além de escassas, parecem se voltar exclusivamente para quem não precisa delas: o recifense. Para o turista e o forasteiro, mais atrapalham do que esclarecem. Essas placas ora seguem o sentido do trânsito e do fluxo de veículos, ora seguem o sentido geográfico, pouco importando que o usuário alcance seu destino. Ou seja: emitindo sinais contraditórios deixam tudo na estaca zero. E quem se importa? Quem, sendo de fora, seguir à risca o caminho das placas vai comer mosca. Enfim, as placas transformam-se em meros enfeites públicos... É evidente que numa cultura oral o que está escrito (no caso, as placas) pouco importa. O cara de fora — teoricamente — pergunta, o outro responde, embora nem sempre compreensivelmente e de boa vontade. Numa cultura oral, a desconfiança é inerente à fala. Enfim, as referências tão “exatas” podem flutuar como espuma. O nativo está no seu próprio umbigo, provincianamente no seu elemento, noutras palavras: de costas para o turista e o forasteiro. E isso é lamentável numa bela e histórica e navegável cidade turística como o Recife. Falta profissionalismo às nossas placas e aos responsáveis por elas.
Escrito por Paulo Gustavo às 11h29
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OS FILHOS DA MÃE A crise do Senado mostra que aquela Casa legislativa é uma verdadeira mãe. Parece simples: os brasileiros em geral e os políticos, em particular, têm um édipo imenso, aqui e ali se agarram, para o bem ou para o mal, à figura da mãe, tida e havida por generosa e provedora por toda a eternidade. Negócio de pai pra filho já era ou nunca foi. O que conta é a transação mãe-filho, a qual, aliás, como se sabe, vem de antes do berço, das próprias entranhas. É uma entranhada relação no nosso mundo latino. Eis por que mãe não tem — podemos dizer — apenas uma, tem várias, entre elas, claro, o Senado Federal que, como agora testemunhamos, se prodigaliza em benesses, “panos mornos”, jeitinhos e jatinhos, não importando, fora do seu útero, o mundo exterior, este ávido por uma antipática transparência democrática, desejoso de penetrar nos recessos de uma mãe tão desejada e desejável. Tudo está claro com uma pitada — não mais que uma pitada — de psicanálise política. Como se vê, nossos senadores nada fazem de censurável, são vítimas de um complexo. Nas próximas eleições, esperamos que as mães fiquem de fora e sejam honradas de outra forma. Até porque é hora de tirar seus filhos da mamãe-senado, dando-lhes o choque de realidade que estão a merecer.
Escrito por Paulo Gustavo às 10h59
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