A LÍNGUA DO PRESIDENTE
Por gentileza, ninguém me envie correntes de e-mail criticando o português do presidente Lula. O presidente — só não vê (ou melhor, não ouve!) quem não quer — aproximou-se muito da norma culta e provavelmente fala melhor do que muitos doutores que o criticam. Doutores que fazem plural, mas que são singulares e insistentes violadores das regras básicas da gramática. Doutores que, em suas teses, em seus artigos, em suas entrevistas, mal se fazem entender. Chega de preconceito lingüístico contra Lula, cujo poder de comunicação com as massas é invejável. Não é pela gramática que o presidente tem de responder. Há muito no seu governo por ser respondido e esclarecido. Penso que é de mau gosto, ingênuo e até antigo julgá-lo pelos eventuais deslizes em relação à norma culta. Talvez seja mais interessante criticá-lo pelo que faz e não fala. Falta imaginação às oposições e ao cenário político de modo geral. Portanto, “menas” retórica vazia e mais ação propositiva.
Escrito por Paulo Gustavo às 13h29
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
BANHOS E BANHAS
Não é preciso olho clínico nem estatísticas ou pesquisas. Nas praias, pode-se constatar o sobrepeso de grande parte da população brasileira. Muito banho e muita banha. Banhas explícitas que dobram e redobram. Que se exibem sem qualquer pudor e senso estético. Banhas infantis, banhas adolescentes, banhas de adultos devorados pela gordura. Banhas barrocas a ameaçarem metabolismos e corações. Questão de saúde pública, questão de saúde privada. Um povo de paquidermes, de dinossauros. De alegres dinossauros não herbívoros. De um insustentável pesadume de ser. Sem leveza, sem agilidade, sem saúde. Gordos pelas próprias mãos, pela própria boca.
Escrito por Paulo Gustavo às 12h00
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
MÉDICOS DEVEM SE REPENSAR Filho de médico, aliás de um dos mais renomados médicos franceses — Adrien Proust —, Proust escreveu em seu grande romance que “os médicos são suscetíveis”. E são, como se pode cotidianamente constatar. Talvez não possa ser diferente. Lembro a frase proustiana a propósito do livro Como os médicos pensam, de Jerome Groopman, sucesso de público tanto nos Estados Unidos como no Brasil. Médico experiente, Groopman precisou virar paciente para saber como os médicos “pensam”! Aos leitores leigos, fica do livro, sobretudo, a importância de uma boa comunicação médico-paciente, principalmente se este último fizer perguntas estratégicas, não se intimidando diante do profissional. Aos médicos fica o recado de que precisam ser mais “humanos” com o que isso implica de ético, prudente, criativo, experimental, estudioso. Nada de confiar às cegas. Pelo contrário, muita dúvida e incerteza. Nada de arrogância. Humildade. Amplidão de conhecimento técnico. Resistência à mercantilização da medicina, à influência da indústria farmacêutica. Menos tecnologia, mais imaginação produtiva. Visão plural e tática. Paciência, calma e cautela na elaboração dos diagnósticos. Coragem para saber fracassar e se arriscar. Enfim, em poucas palavras: os médicos habitualmente “pensam” mal e cometem freqüentes “erros cognitivos”. E o que lhes atrapalha? Sobretudo a suscetibilidade e os melindres e vaidades que parecem indissociáveis do jaleco branco. São raros os médicos que têm o perfil sugerido pelo Dr. Groopman. Sugiro que nós, leigos e pacientes, também sejamos “suscetíveis”! Se é que isso é possível!
Escrito por Paulo Gustavo às 10h33
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|