PAISAGEM
É preciso ver a paisagem. Isso parece constitutivo do ser humano. Talvez remonte ao princípio dos tempos, ao Éden, às vastas geografias despovoadas e ainda desertas de urbanismo. Sem paisagem, sufoca-se. É preciso horizontes, distâncias onde o olhar possa prolongar o sonho e imaginar a liberdade. Um dos grandes castigos dos prisioneiros é não verem a paisagem. Ver uma paisagem é o começo da liberdade. Quadros, tapeçarias, arranjos de flores são substitutivos das paisagens. Mesmo árida, uma paisagem continua o seu trabalho de nos fazer sonhar e de ver a possibilidade de outros mundos a serem explorados. Sem paisagem, somos infelizes e mudos; podemos ser até filósofos, mas não exatamente felizes, ou seja, detentores de um específico bem-estar. A paisagem nos induz e nos move, mesmo quando é triste, arruinada ou deserta. Não por acaso, tantos “planos de fundo” dos nossos computadores são paisagens e tantos calendários na parede. Quando não temos uma paisagem real, logo inventamos uma para diminuir a nossa angústia.
Escrito por Paulo Gustavo às 10h26
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À SOMBRA DAS RAPARIGAS EM FLOR
Na última edição da revista IstoÉ Dinheiro uma pequena nota informa que um escritório de advocacia de São Paulo, especializado em mídia digital, está às voltas com a defesa de alguns presidentes de grandes corporações. Qual o problema? Os executivos, não se contentando em trocarem mensagens de e-mail com garotas de programa, terminaram enviando para as moças fotos em que aparecem completamente nus. Agora, as moças estão fazendo chantagem... Isto posto, e sem qualquer viés moralista, o que dizer desse pitoresco caso em que a virilidade não dispensou imagens comprometedoras? No mínimo, dizer como se diz no Nordeste, que é coisa de “menino buchudo”, “leso”, tolo! Levados pelo ardor do desejo sexual, orgulhosos dos seus dotes físicos, os executivos se deixaram levar pelo emocional e caíram na armadilha. “Volveram a los dezessiete”. Babaram e se queimaram. Are baba!
Escrito por Paulo Gustavo às 09h08
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O ESTADO, O PIOR MÉDICO A saúde, como a educação, ainda não é prioridade na agenda de nossos governantes. Ontem mesmo a Folha de S. Paulo noticiou a metamorfose das verbas de saúde promovida pelos governos estaduais. Quem paga o pato é a população mais pobre, cujo sofrimento se agrava a cada vez que uma verba para a saúde é desviada para outro setor. Na prática, a saúde é doença. Na prática, com o passar do tempo e a multiplicação do mesmo mal, o individual é uma cifra de um número coletivo que redunda em prejuízo para a nação. Não havendo prevenção, o que há mesmo são interesses egoístas numa medicina apenas curativa ou paliativa. A área torna-se um ralo por onde escoam nossos impostos. Por isso, a sociedade não suporta mais uma novo imposto teoricamente destinado à área de saúde. Não há mais confiança possível depois de tantos anos em que a saúde vem se transformando em tudo menos em saúde de qualidade para a população. Noutras palavras, aquilo que chamamos “Estado” é o pior médico que um paciente pode ter no Brasil.
Escrito por Paulo Gustavo às 09h09
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UP – ALTAS AVENTURAS “As duas pontas da vida” (Machado de Assis) — a infância e a velhice — estão entrelaçadas pela aventura no filme Up, da Disney, recentemente lançado no país. Muito bom. Em vez de unidos por parentesco, a tradicional dupla avô e neto, os personagens do menino e do velho estão irmanados pelo espírito aventureiro. O início do filme toca em temas pouco convencionais num infantil: a solidão da velhice, a invasão imobiliária, os dirigíveis, a urbanização vertical e, com bom gosto e sutileza, no tema da morte e na persistência do sonho e do desejo. A fotografia é muito bonita. As crianças aplaudem, os adultos se surpreendem. Uma lição que não carrega no didatismo nem no moralismo. Vale a pena conferir, como dizem os cronistas sociais.
Escrito por Paulo Gustavo às 10h42
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