COMO ASSIM?
— A vida é complicada. — Nem fale! — Muito complicada mesmo. — Só é. — Cada dia mais complicada. — Terrivelmente complicada. — Por isso, as pessoas falam com toda a razão: é de fato complicada. — Claro. — As pessoas também são complicadas. — As pessoas e a vida. — Não há remédio, o que torna tudo mais complicado. — Tudo mesmo. — Tudo é complicado. — Não resta dúvida. — Você também. — Como assim?
Escrito por Paulo Gustavo às 16h13
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DA SÉRIE DIÁLOGOS MUITO RÁPIDOS
— O senhor é que é o Nefasto? — Não, me chamo Deletério. — Então, você acha que a velhice é uma merda? — E com muito colesterol! — Conheci um cara chamado Rútilo. — Eu também. Era uma figura apagada. — Ele sai muito nas colunas sociais. — É o que eu chamaria de retrato falado. — Seu sotaque é carioca? — Não sei. Ele fala muito pra dentro! — É preciso dignidade até no sexo. — Mesmo de quatro? — Ele troca de carro todo ano. — E a mulher, de marido. — Ela fala pelos cotovelos. — E escuta por onde? — O presidente não sai do ABC. — Mas como ele entrou? — O Zelaya voltou a Honduras. — Aquilo foi um golpe para o país. — Antigamente, a poesia tinha seu lugar. — Hoje anda meio descadeirada. — Exu é o capeta ou um orixá como outro qualquer? — É o apelido do antropólogo! — Ele agora tirou o título de Doutor. — Tirou de quem? — Era uma bunda magnífica! — Sobretudo depois que ela virou reitora.
Escrito por Paulo Gustavo às 15h49
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PRAQUÊ ISSO, COMPANHEIRO? “Os progressos da civilização permitem a cada qual manifestar qualidades insuspeitadas ou novos vícios que os tornam mais caros e mais insuportáveis a seus amigos.” Marcel Proust As palavras de Proust estão superatuais, como qualquer um de nós pode constatar. Vira e mexe, há aqueles amigos — no sentido lato da palavra — que, de egos inflados ou simplesmente carentes, perdem a noção de que estão sendo desagradáveis ao nos enviarem, por e-mail, a sua autopropaganda. É como se disessem: “Olhem pra mim, fiz isso, fiz aquilo. Emplaquei tal coisa. Estou bem na foto” ou coisa que o valha. Ora, convenhamos, que isso enche o saco, sobretudo pela freqüência com que é feito. Até aquilo que parecia inicialmente interessante de conhecermos transforma-se numa maçada infernal. São mensagens que, claro, não merecem resposta. Isso não é conversa, é monólogo, é chatice eletrônica da pior qualidade. Pra que tanto escarcéu? Que façam um blog ou outro site qualquer e deixem cada um de nós à vontade para ler e saber o que de fato nos interessa.
Escrito por Paulo Gustavo às 08h37
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Chá literário, não tomo. Café literário, não bebo. Oficina literária, não freqüento. Festa literária, não participo. Artigo literário, não leio. Desprezo a literatura diluída no adjetivo como o rabo de um bicho que não está presente. Prefiro ir direto ao substantivo — à própria literatura —, que certamente não está nem aí para chá ou café, para festa ou oficina. O substantivo é a solidão. Os adjetivos são, neste caso, parasitas sociais, gregários e simpáticos, mas parasitas. Que me perdoem os iludidos e os ilusionistas. O buraco, como diz o povo, é mais embaixo. Desçamos, pois, desçamos até o fundo, onde tudo é simples e tudo é prazer.
Escrito por Paulo Gustavo às 12h03
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SAKI A você, leitor ou leitora, que aprecia contos, recomendo Saki (pseudônimo do autor britânico Hecto Munro (1870-1916). Por que Saki? Por sua concisão e agilidade, é um mestre do gênero. Com grande economia de palavras, vai ao ponto e à unidade de sentido requeridos pela forma. Cria rapidamente uma atmosfera de impasse, conflito e estranheza, clima que enriquece com imagens tão poéticas quanto condensadas. Não bastassem esses ingredientes essenciais, explora, com um típico humor inglês, as fissuras das convenções sociais. A fórmula se repete, mas Saki é suficientemente criativo para nos fascinar a cada página. Como diria ele próprio: “a disciplina precisa ser opcional para ter sucesso”.
Escrito por Paulo Gustavo às 09h32
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TERAPIA DE CASAL A notícia é cômica e instrutiva. Uma famosa terapeuta de casais americana esfaqueou o marido, que também é analista. Um dos seus bordões (quanta criatividade!) é dizer que falta diálogo na vida conjugal. Bem, está claro que ao discutir a relação devemos ir discretamente armados com uma boa faca (boa, no caso, significa afiada). Assim, num jantar a dois, caso esteja você desprevenido dessa arma branca, verifique se o talher está completo. Numa emergência, uma garfada também deve servir. O problema do jantar a dois pode ser o restaurante, ou seja, a plateia. A psicologia profunda e a discrição ensinam que devemos fugir disso. Então, sirva o jantar a dois na varanda do apartamento. Neste local, mesmo sem facas ou garfos, resta, para um diálogo à altura, profícuo para ambas as partes, o recurso a um empurrão. Eis um bom bordão: dê um empurrão no seu amor! Um empurrão, muitas vezes, é decisivo, sobretudo numa varanda. O risco é a criatura não cair lá embaixo e se tostar nas velas românticas que foram compradas para aquele dia. Mas não chame ainda o bombeiro. Você seria um precipitado. A noite, quem diria?, ainda pode acabar bem.
Escrito por Paulo Gustavo às 15h54
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RIO 2016 Confesso que não chorei com a escolha do Rio para os Jogos Olímpicos. Mas o Rio, sendo a cidade que é para mim e para tantos que lhe são fiéis apaixonados, bem que merece essa vitória. É uma ótima oportunidade de renovar-se e de se livrar de algumas de suas mazelas. Mas é claro que não haverá milagres até 2016. O Cristo, lá do alto do Corcovado, que o diga. É certo que haverá espertezas de toda ordem. No entanto, o saldo será positivo para o Rio e para o Brasil. Como porta de entrada do País, não há cidade igual. Espera-se agora que todo o continente brasileiro se mova para se fazer representar com dignidade, e não só no esporte, mas em todas as áreas, a exemplo do turismo, da cultura, do comércio e das empresas, etc. Parabéns, Rio! Parabéns, amigos cariocas!
Escrito por Paulo Gustavo às 11h39
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AL QAEDA: O SUPOSITÓRIO DOS SUICIDAS Fanatismo e tecnologia estão de mãos dadas para novos atentados suicidas da Al Qaeda. Agora, segundo noticia Le Figaro, na França, os homens-bombas serão homens-supositórios explosivos. Com isso, invisibilizam-se os armamentos até então empregados. Nada de dar bandeira. Chega-se ao céu com um simples supositório explosivo. Nesta fase, por assim dizer anal, lucra-se com a discrição. Não se sabe ainda o que pensam os candidatos a homens-bomba, se é que eles pensam alguma coisa. Sobre a notícia, Frei José de Lorena, da Ordem dos Sacanas Menores, comenta que “dar o cu nunca foi tão explosivo”. É fato.
Escrito por Paulo Gustavo às 10h51
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AS PROVAS DO ENEM E O NORDESTE Com o vazamento das provas do Enem, a sociedade teve acesso aos testes que seriam aplicados. Pois bem. Conversando com uma moça inscrita no exame, dela ouvi que a imagem do Nordeste não estava muito boa na prova. Como assim? Sempre que o Nordeste foi mencionado, havia algo de negativo associado à sua imagem regional. É verdade que o Nordeste continua pobre. Mas, para quem não sabe, já foi pior. Atualmente, a região cresce anualmente numa média maior do que a do próprio Brasil. Enfim, há muita coisa boa acontecendo no Nordeste, mas o preconceito — sobretudo dos sudestinos, com destaque para São Paulo — insiste em só enxergar os problemas e as carências. É uma pena que o Nordeste continue, como há décadas, associado à fome, a secas, a misérias sociais. Não digo que seja intencional. Digo apenas que é negligente com uma região que é mais, quando se buscam pontos positivos, do que praias ensolaradas. Não é, o Nordeste, um imenso balneário. Com seu atual crescimento e com seus valores culturais próprios, o Nordeste mudou e está mudando. Infelizmente, os redatores do Enem ainda não descobriram isso.
Escrito por Paulo Gustavo às 09h38
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